PUCRS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

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10 de outubro de 2014

O corredor inerte que separa os comitês intensifica o clima de tensão entre os partidos. Cerca de 300 seguidores de Tarso Genro, candidato ao governo do Estado, balançavam incansavelmente a bandeira do PT no início da noite do dia 5 de outubro, após o fechamento das zonas eleitorais no primeiro turno do pleito de 2014. Do outro lado, o PMDB de José Ivo Sartori vibra quando o caminhão de som atualiza a apuração. A distância, em metros, entre os dois é curta. Em números, longa.

A Avenida João Pessoa, no bairro Cidade Baixa, está bloqueada pelos militantes no sentido centro-bairro da Capital. O clima no comitê de Tarso é de apreensão. As bandeiras, agora divididas entre o punho erguido e a calçada, evidenciam o início de uma nova luta para os petistas.

Aos prantos, a senhora de vermelho recebe consolo. As lágrimas tornam-se parte da vestimenta. Por alguns instantes, a frustração dá lugar à esperança: “Quando abrirem as urnas aqui em Porto Alegre, a coisa estoura”, enfatiza o homem na entrada do comitê.

A vantagem de Sartori cresce proporcionalmente ao número de urnas apuradas. A lotação das paradas de ônibus e o trânsito intenso na Avenida compõem o cenário do fim do dia 5 de outubro de 2014. Às 19h30, o trânsito é desviado pela Rua Luiz Afonso. Alguns ônibus estão convertendo antes, na Rua Avaí. A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e a Brigada Militar fazem a segurança no local.

Todos perguntam a respeito da presidenta Dilma Rousseff. Saber que ainda não há estimativas sobre o resultado aumenta a tensão. Cabisbaixos, os eleitores vão procurando um local para sentar. E esperar.

A zona neutra entre os comitês começa a ceder. É Sartori quem está chegando. Ele aponta 40,40% dos votos válidos nas pesquisas de boca de urna. Tarso, 32,57%. A imprensa selvagem começa a se acumular. Um corredor humano se forma. Alguém aponta. Chegou Sartori, antes do horário.

Texto: Isabella Mércio (3º semestre)

Foto: Luiza Meira (2º semestre)

Este material integra a cobertura realizada pelos alunos do Editorial J, laboratório do curso de Jornalismo da Famecos-PUCRS, com supervisão dos professores Alexandre Elmi, Fábian Chelkanoff, Fabio Canatta, Flavia Quadros, Ivone Cassol, Marcelo Träsel, Marco Antonio Villalobos, Tércio Saccol e Vitor Necchi.

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