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GREVE • 23 de outubro de 2017
Greve dos professores do Estado faz com que alunos busquem alternativas para estudar para Enem e vestibulares
Texto: Ricardo Ott (5° semestre)

A greve dos professores da rede estadual do Rio Grande do Sul já dura 49 dias. Articulada pelo CPERS (Sindicato dos Professores do RS), a paralisação ocorre desde o dia 5 de setembro.  O Sindicato diz que a adesão dos professores é de 75%. A gestão peemedebista de José Ivo Sartori diz que 35% das escolas estão total ou parcialmente paralisadas. Portanto, não há como saber a adesão exata. O que se pode ver são as consequências para os estudantes das escolas públicas do Estado. A duas semanas do Enem, e próximo da data dos vestibulares, os estudantes continuam sem aula e com o futuro incerto.

A categoria reivindica o fim dos parcelamentos dos salários, que começaram há 22 meses com a entrada de Sartori no comando do Estado. Uma das parcelas chegou ao valor de R$345,00. Mesmo antes dos parcelamentos, os professores já sofriam com a sobrecarga de funções nas escolas. Em entrevista ao Editorial J, a presidente do CPERS, Helenir Schurer, comenta que os professores chegam no fim do mês muito preocupados, sem saber quando nem quanto receberão. Helenir argumenta que os educadores não possuem condições psicológicas de continuar dando aula. “Hoje, com o abandono total das escolas, com o abandono muitas vezes da própria família dos alunos, nós temos que assumir algumas tarefas que não são nossas. Assistente social, psicólogo, pai, mãe. Isso tem dado uma carga emocional muito forte em cima do professor”.

O governo estadual já afirmou que, caso as atividades não sejam retomadas, a recuperação das aulas poderá continuar até abril de 2017. Isso significa que mesmo que o estudante passe no vestibular, não poderá se matricular por conta da ausência da certificação de conclusão do ensino médio.

A tendência é que a greve não termine tão cedo. Helenir vê a continuidade da paralisação como pedagogicamente melhor para os alunos. Segundo ela, o objetivo é ir até o fim com esta greve para que não seja necessário fazer uma nova paralisação. “Nós resolvemos que nesta greve nós iremos resolver as coisas. Por quê? Nós poderíamos muito bem ter voltado, tão logo nós recebemos [o salário]. Mas no final do mês nós iriamos parar de novo, assim como iríamos parar no outro, enfim, até terminar o parcelamento ou o atraso de salários”.

 

Como os estudantes estão lidando com a situação?

Mesmo sendo a favor da greve por se solidarizar com a causa dos professores, o aluno do Colégio Estadual Protásio Alves Luis Felipe Saldivia, de 17 anos, tem sentido o impacto em seu aprendizado. O estudante conta que sente seu ensino defasado devido às paralisações, greves e ocupações que ocorrem desde que ingressou no ensino médio. Para Luis, já havia a preocupação de não se sentir preparado para tentar ingressar em uma universidade. “Além da questão da certificação, fica também um receio de não conseguir estar preparado para o Enem e vestibulares. Eu vejo que traz até mesmo certa desmotivação, pois muitos não sentem confiança de que possam ter uma boa média nos exames e já pensam em um ano perdido e que terão de tentar novamente no próximo.”

Com a democratização do uso da internet, recursos online se tornaram um meio central para auxiliar o aprendizado, mantendo os estudos diante da paralisação das atividades escolares. Por estagiar e não possuir tempo para fazer cursinho, Luis tem utilizado a internet para suprir a falta das aulas: “Para me ajudar com o vestibular, estudo com o apoio da matéria dos exames antigos e os conteúdos que caem no vestibular. Daí vale tudo, desde aulões abertos, vídeos no youtube e até o bom e tradicional livro didático”.

 

Que alternativas estão ao alcance dos estudantes?

Os alunos que estudam em escolas paralisadas possuem algumas alternativas gratuitas para recuperar a matéria. Para quem está se preparando para o Enem, aulões abertos são uma ótima opção. Nesta sexta-feira, dia 27, o cursinho Universitário fará um aulão gratuito sobre os temas mais abordados no Enem. A atividade ocorre no Prédio 41 da PUCRS, às 14h.

Outra alternativa economicamente viável é o cursinho popular. Aqui você encontra uma lista de cursos pré-vestibulares populares feita pela UFRGS. Para saber quanto custam, é preciso entrar em contato direto com os cursinhos. Todas as informações estão na lista.

Nos últimos anos, surgiram muitos canais no YouTube que abordam conteúdos presentes no Enem e nos vestibulares. O Editorial J separou quatro dicas de canais que podem ajudar os estudantes.

Canal ProEnem  
Canal Descomplica
Canal QG do Enem
Canal reVisão
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