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POESIA • 29 de agosto de 2016
Texto: Mia Sodré (2º sem.)

Quebrando correntes. Diminuindo distâncias. Encontrando pessoas. É a isto que o projeto Quebras se propõe: reunir e estimular escritores independentes das áreas periféricas de 15 capitais brasileiras fora do eixo Rio-São Paulo. Viajando de um canto a outro do país, os escritores Marcelino Freire e Jorge Filholini promoveram oficinas literárias, com duração de 3 dias, em cada cidade visitada.

Cerca de 40 pessoas se reuniram na tarde de segunda-feira (22/08), na sala Delfos da Biblioteca Central Irmão José Otão, na PUCRS, para conhecerem o projeto, iniciado em setembro de 2014, em Teresina. A iniciativa tem o apoio do Itaú Cultural, através do edital Projeto Rumos, que ao longo de um ano incentivou e reuniu jovens escritores que compõem a cena cultural de suas cidades. A maioria dos artistas que fizeram parte trabalham com poesia.

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Marcelo e Jorge na palestra.
Foto: Luiz Gonzaga Lopes

Em suas viagens, Marcelino e Jorge se depararam com histórias comoventes de artistas que, apesar da pobreza e das condições contrárias, persistem na literatura. Passaram por situações como uma em Aracaju, onde pessoas de todas as idades se reuniram debaixo de um viaduto, por falta de local, e fizeram um “gato” para ligar uma caixa de som emprestada e recitar poesia. “Ninguém cala um poeta”, diz Marcelino, emocionado. Outra história comovente que encontraram em suas andanças foi a da poetisa Nayara Fernandes, do Piauí. Nayara, uma moça pobre, negra, deficiente física e da periferia, não permite que suas condições sociais lhe impeçam de poetizar a vida. Seu poema “Asas de Pedra” é o exemplo disso: “se o coração bate / o que sinto espanca / não sinto muito, sinto tanto / quanto o horizonte sente liberdade”. Mesmo morando longe e com a mobilidade limitada, não deixou de lado sua alma de artista e atendeu ao chamado da oficina literária do Quebras, se reunindo com Marcelino, Jorge e outros escritores, poetas e artistas piauienses.

O Quebras não é um projeto feito com o intuito de sistematizar a literatura independente brasileira, mas sim com o objetivo de conhecer a natureza literária do brasileiro: uma riqueza que poetiza a vida, mesmo que não tenha uma editora pela qual publicar seus versos. Oficialmente, o projeto chegou ao seu fim, mas os laços que se formaram entre esses artistas fora do eixo acadêmico, não. “O projeto continua vivo”, diz Marcelino; “os poetas conversam entre si. O gênero poesia está cada vez mais vivo, ao contrário do que se fala”.

Em novembro do ano passado foi lançado, na Balada Literária (em São Paulo, um projeto com mais de uma década, também de Marcelino Freire) o livro do Quebras (Quebras – Uma viagem literária pelo Brasil), que reúne diversos poemas de vários artistas que participaram das oficinas literárias ocorridas em 15 capitais brasileiras. O livro está disponível para download gratuito, sob a licença Creative Commons, no site Livre Opinião, administrado por Jorge Filholini.

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