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CRISE • 22 de setembro de 2015
A polêmica votação do projeto que propõe o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) levou centenas de servidores públicos à Assembléia Legislativa na tarde de terça. Mesmo sob intensa chuva e impedidos de entrar no prédio, os servidores permaneceram ali durante todo o dia para manifestar sua discordância contra a proposta do governo de José Ivo Sartori (PMDB).
Texto: Aristoteles Junior (3º Semestre)
Foto: Camila Lara

Brigada Militar isola entorno da Assembleia Legislativa

A polêmica votação do projeto que propõe o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) levou centenas de servidores públicos à Assembléia Legislativa na tarde de terça. Mesmo sob intensa chuva e impedidos de entrar no prédio, os servidores permaneceram ali durante todo o dia para manifestar sua discordância contra a proposta do governo de José Ivo Sartori (PMDB).

Em contraste com o clima encontrado na Assembléia durante a manhã, quando houve confrontos entre a Brigada Militar (BM) e os manifestantes, a parte externa da Assembléia Legislativa permanecia tranquila no período da tarde. A Brigada havia isolado o prédio e os professores se mantinham afastados, em um clima levemente descontraído: o carro de som do Centro dos Professores do Rio Grande do Sul (Cpers-Sindicato) tocava músicas sobre a valorização dos professores e paródias de canções conhecidas, como o Canto Alegretense e os próprios jingles da campanha do governador.

A promessa de uma Assembléia fechada ao público não inibiu os servidores públicos – em sua maioria, professores – de virem de todo o Estado para acompanhar de perto as votações. “Nós não tínhamos vontade de vir. Mas como nós somos uma maioria de professores, não conseguiríamos ficar em casa ou na escola sabendo que o que acontece aqui dá rumo às nossas vidas”, explica Dóris Peglow, representante do Cpers em São Lourenço do Sul e professora de educação física Escola Técnica Santa Isabel. O ônibus saiu da cidade às 8h e chegou na Assembléia Legislativa às 11h30min.

“Os nossos alunos já sofrem, não tendo o básico em casa. Aumentando os impostos, a situação ficará ainda pior. Eu, dando aula em escola pública, ganho menos que alguns dos meus alunos que trabalham como empacotadores em mercados de Carazinho. O manifesto não é apenas quanto ao aumento de salários dos professores, mas também pela qualidade das escolas públicas no Estado”, afirma Sônia Petry, vice-diretora do Cpers em Carazinho. Ela, que saiu da cidade às 7h e chegou na capital às 11h30, dá aulas de matemática e física na Escola Estadual de Ensino Médio Cruzeiro do Sul.

O Cpers lembrou, através de cartazes em seu carro de som e de adesivos, as promessas de parlamentares que garantiram melhorias na educação. Os principais alvos da campanha “Agora queremos o seu voto” foram os deputados Juliana Brizola (PDT), Adilson Troca (PSDB), Tiago Simon (PMDB), Regina Becker Fortunati (PDT) e Pedro Pereira (PSDB).

“Nós já estamos pagando muitos impostos. Além de cada vez querem carregar mais impostos para nós, estão tirando os direitos que já temos”, pondera o professor aposentado Nelson Pizzotto, que saiu de Bento Gonçalves para acompanhar a votação. Ele presenciou o conflito que ocorreu no período da manhã. “Nós queríamos entrar na Assembléia para sair da chuva. Quando chegamos na escadaria de entrada, vimos o saguão lotado e, em seguida, começou o tumulto. O pessoal começou a recuar pois vimos uma fumaça, significando que os policiais estavam usando alguma coisa. Foi bem assustador”, relata.

A professora Dóris Peglow resumiu o clima dos funcionários públicos presentes no local: “Se o Estado realmente estivesse em crise, nós não teríamos a Assembléia recebendo em dia, com altos salários e que estão sendo aumentados. A saída não é o aumento do ICMS. O aumento do ICMS pode até ser uma saída, mas vai afetar toda a população.”

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