1ª Jane Jacobs Walk em São Leopoldo

Caminhada propõe reflexão sobre o uso da cidade

  • Por: Eduardo Lesina (2º semestre) | Foto: Eduardo Lesina (2º semestre) | 09/05/2017 | 0

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A primeira semana de maio tem um significado especial para os urbanistas. Foi nesta mesma semana em 1916 que nasceu, em Scranton , quem revolucionou o pensamento sobre as cidades: a jornalista Jane Jacobs, escritora do livro Morte e vida das grandes cidades, pioneiro no pensamento urbanístico. Depois de 101 anos de seu nascimento, seu legado é transmitido pelo mundo todo através de uma caminhada de reflexão sobre a cidade. A Jane Jacobs Walk, criada em Toronto, no Canadá, pela ONG Jane’s Walk, chegou ao Brasil em 2011 e segue com o objetivo de discutir o meio urbano.

A Igreja do Relógio na Rua Formosa (hoje Marquês do Herval), também conhecida como Comunidade Evangélica de São Leopoldo, foi o ponto de partida da caminhada. O movimento Interventura Urbanismo Colaborativo, responsável pela organização, contou com a presença de Márcio Linck, historiador, para a ajudar na compreensão histórica da cidade e de seus pontos turísticos. A caminhada seguiu para a Rua do Fogo (atual Rua Brasil) para explicar a história da Sociedade Orpheu, a primeira sociedade de canto da cidade capilé – e que recebeu a visita do imperador Dom Pedro II, em 1865.

O grupo de cerca de 25 pessoas acompanhou as histórias da Igreja da Matriz, ponto característico de São Leopoldo, e de suas praças próximas (Tiradentes e do Imigrante). Além de ocupar o espaço urbano, houve debate sobre o desrespeito das áreas tombadas, como a Câmara dos Vereadores que tem o seu entorno descaracterizado. Nesse mesmo aspecto, a Ponte do Rio dos Sinos, que inaugurou o livro tombo do RS, foi outro tema debatido, visto que após sua reforma inseriram tubos de conexão que poluem visualmente o patrimônio tombado.

O objetivo da ação foi conscientizar o cidadão de que ele é quem deve ocupar os espaços públicos. “É o empoderamento da população sobre a cidade”, diz Julia Rolim, arquiteta e uma das organizadoras do evento. Esse empoderamento é o princípio que marca o pensamento de Jane, posto que uma das formas de acabar com a violência urbana, para ela, era a ocupação do espaço público. O Interventura propõe um trabalho convergente entre iniciativas individuais para melhorar o espaço público. “Nosso partido é fazer com que todo mundo se una”, responde Carlie Carazzo, arquiteta e organizadora do evento. Seguindo o conceito de “cidades caminhantes”, caminhamos.