31 histórias, 18 alunos e uma lição

O período de ditadura militar no Brasil já foi contado por estudiosos e autores nas mais diferentes perspectivas. Na última terça-feira, 1º de abril, aniversário de 50 anos do golpe, 18 alunos da disciplina de Projeto Experimental IV, do curso de Jornalismo da Famecos, sob orientação dos professores Alexandre Elmi e Vitor Necchi, ingressaram nesse seleto grupo.

O livro “Histórias para Lembrar: Relatos sobre a Ditadura de 1964” conta a história de 31 pessoas que tiveram algum envolvimento com a ditadura e as suas consequências. Durante a noite de autógrafos, no dia 1º de abril, o Editorial J perguntou a cada um dos alunos que participaram do projeto qual é a maior lição que fica desses relatos e dessa iniciativa.

Confira a seguir a resposta de cada um deles:

Evelyn Centeno

 

“A lição que eu levo desse trabalho é que, mesmo que machuque, essa ferida não pode ser fechada nunca, para que a história não se repita, pra que mais pessoas não vivam essa história negra novamente. Estou escrevendo em todos os livros: que a dor de um país nunca seja esquecida e que esses 21 anos de Ditadura nunca sejam esquecidos.”

 

 

Vithoria Vaz

“Esse projeto, além da importância que teve para o coletivo, e além de ser história muito importante, que não deve ser esquecida, para mim, teve uma importância especial, porque um dos entrevistados é o meu avô. E eu o entrevistei. E ao contrário da minha opinião, ele é a favor da ditadura militar, então foi muito complicado a gente fazer essa entrevista com ele. Mas, são opiniões diferentes e, infelizmente, a gente tem que respeitar a dele, foi bem complicado ter que redigir tudo que ele acha. Mas, valeu a pena. Faria de novo.“

 

Igor Grossmann

 

“A lição que eu levo é que a gente nunca deve esquecer este e outros relatos similares de pessoas que lutaram e combateram a ditadura.”

 

 

 

 

André Pasquali

“Por ser um projeto universitário e contar uma história de um jeito que ninguém nunca contou, com formas diferentes e depoimento das pessoas eu acho muito legal. Eu acho que foi uma experiência inesquecível para cada um de nós, e esse documento que a gente acabou de lançar vai ser levado para a posteridade. E, com certeza, deve ser um início de projetos acadêmicos voltados para essa área, vai estimular muitas pessoas a trabalhar nisso e pensar coisas diferentes relacionadas a Ditadura.”

 

Lucas Etchenique

 

“Eu levo só lições boas, gostei muito de trabalhar nesse projeto. Acho que reviver a história e manter ela ativa, viva, é um passo para que não aconteça mais. Todos nossos colegas, escrevendo isso, de alguma forma fomos militantes e estamos fazendo força para que isso jamais aconteça. Esse é o grande poder desse livro.”

 

 

Tiago Medeiros

 

“Eu acho que a lição maior é perceber a necessidade de manter essa história viva. Maior do que qualquer lição é se sentir responsável por perpetuar essa história.”

 

 

 

Francielly Brites

 

“Meus entrevistados, eu acho que eles são o que eu levo de tudo isso. Que a gente nunca pode desistir de buscar um futuro melhor, um país melhor. E também, jamais esquecer tudo que essa gente fez pelo país, sem se arrepender, mesmo que doa, na pele, como muitos dos que eu entrevistei.”

 

Julia Finamor

 

“Eu acho que a principal lição é saber que a gente precisa relembrar histórias, refletir histórias, para tentar trazer um país melhor, um mundo melhor, e principalmente através de pessoas que sentiram na pele as histórias desse momento que foi a ditadura.”

 

 

Marina Oliveira

 

“O que eu desejo que esse livro traga é um sentimento de luta contra todas as ditaduras. Foi muito emocionante fazer esse livro com meus colegas. Eu espero que sintam isso em sua leitura.”

 

 

 

Pedro Abdala

 

“Eu acho que esse projeto mostra um pouco da história obscura que teve a ditadura, que é uma história com muitas lacunas. Espero que o livro consiga preencher algumas dessas lacunas.”

 

 

Bruno Cisco

 

“Eu acho que a lição que a gente tira disso aqui é que sempre tem histórias de todos os lados, pró e contra. Esse foi um projeto que teve histórias a favor e contra a ditadura, todas muito ricas. Acho que ouvir pessoas é o principal aprendizado nessa faculdade e, como lição para nós, isso é muito bom.”

 

Alina Oliveira

 

“São histórias diversas, pontos de vista diferentes sobre a ditadura que me fazem refletir que não pode existir um regime de tamanha opressão, que nós temos que lutar por uma sociedade mais livre, não podemos desistir de nossos sonhos, nossos ideais. Não podemos nos entregar, temos que procurar a mudança, libertar-se de opressões.”

 

 

Laís Scortegagna

 

“Como eu não fui uma das que fizeram as entrevistas, eu posso dizer que o trabalho em grupo faz muita diferença para um projeto desses. E, que, além disso, essa história não pode esquecida.”

 

 

Clara Salvadori

 

“A lição que eu tiro é que, em primeiro lugar, eu sou Famecos, eu amo a Famecos, eu amo meus professores. Acima de tudo, esse projeto, me lembra a importância da liberdade de expressão e o quanto a gente toma isso como gratuito hoje, mas na verdade muita gente lutou para nos garantir isso. É sempre bom lembrar para não esquecer.”

 

 

 

Anna Claudia Fernandes, Bruno Ravazzolli, Fernanda Ponciano, Melanie Albuquerque e Shana Sudbrack também participaram do projeto, mas não estavam presentes no lançamento.

Texto: Júlia Bernardi (3º Semestre), Bruna Zanatta (3º Semestre) e Frederico Martins (5º Semestre)
Fotos: Frederico Martins (5º Semestre) e Arquivo Pessoal
Foto no topo: Pedro Scott/ Famecos/ PUCRS