“A morte do Eduardo bagunçou o coreto da eleição presidencial”

Com a morte nesta quarta-feira (13) do então candidato a presidência pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro) Eduardo Campos de 49 anos, a situação do partido na corrida ao Planalto fica ainda mais indefinida. Conforme a Justiça Eleitoral, o PSB tem 10 dias para indicar Marina Silva, vice na chapa, podendo ainda definir outro nome ou até mesmo desistir da candidatura.

“A campanha recomeça”. É como avalia o professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Mauricio Moya. Para ele, o mais lógico é a substituição por Marina, mas ainda sem definição para um possível vice com ela encabeçando a campanha deste ano.

Moya também acredita que o impacto emocional provocado pelo desastre sofrido por Campos pode ser aproveitado pela campanha do futuro candidato. “Esse é mais um tema para a campanha mencionar e tentar ganhar votos com isso. Mas algo é certo, ninguém vai atacar tão fortemente a Marina, após o ocorrido”, projeta o professor.

Em 2013, pesquisa do Ibope que cogitava a possibilidade da candidatura de Marina Silva apontava a ex-ministra do governo Lula na segunda posição na disputa com Dilma. A atual presidente aparecia com 39% dos votos, e Marina, 21%.

“A Marina tem um capital eleitoral forte, mas é difícil dizer que possa chegar ao segundo lugar. O Eduardo Campos tinha mais trânsito e a Marina tem algumas posições até radicais, então chegar ao segundo seria mais fácil com ele”, acrescenta.

Moya acredita que a campanha terá de aproveitar o momento para melhorar as condições eleitorais da candidatura de Marina: “Ela vai ter que unir o capital eleitoral dela com o que herdou do Eduardo Campos”.

Para Antônio Hohlfeldt, professor de Jornalismo da PUCRS e primeiro suplente, pelo PMDB, do candidato senado Beto Albuquerque (PSB), acredita em um crescimento da candidatura com Marina à frente. PMDB e PSB formaram no Rio Grande do Sul uma chama para sustentar a candidatura de Campos.

“Isso muda o equilíbrio da campanha e me arrisco a dizer que a Marina tira mais votos da Dilma, muito mais forte do que o Eduardo Campos”, afirma o candidato. Ele lembra que na última eleição a competição foi parelha entre a atual presidente contra Serra e Marina.

Hohlfeldt ainda acredita que em 2010 foi ela quem possibilitou a ida de Serra e Dilma ao segundo turno por conseguir mais votos do que atualmente as pesquisas apontavam para Campos: “Eu diria que no mínimo a Marina provoca o segundo turno, ainda mais que tem um elemento emocional, que bem ou mal vai ser explorado”.

O professor imagina uma nova eleição daqui para frente. “A morte do Eduardo bagunçou o coreto da eleição presidencial, seja lá o que vai acontecer mexeu e atrapalha mais a Dilma”, reforça Hohlfeldt. Para ele, o acirramento maior será entre as duas candidatas pela proximidade ideológica de centro-esquerda de ambas, o que direciona para um isolamento maior de Aécio Neves na disputa. “São duas mulheres pra competir e é muito ruim para a Dilma”, conclui.

Confira a repercussão da morte do candidato nas redes sociais:

Texto: Caroline Ferraz (7º semestre)
Foto: Wikipedia Commons