Abalos sísmicos de até 3 graus Richter não derrubam barragens em boas condições, diz engenheiro

ABNT não tem normas específicas sobre eventos sísmicos em construções de barragens, devido ao baixo grau dos abalos no Brasil.

  • Por: Gabriel Gonçalves (6º sem) | Foto: (Antônio Cruz/Agência Brasil) | Produção: Kamylla Lemos (4º sem) | 17/11/2015 | 0

Rompimento_de_Barragem_em_Mariana_(MG)_2015_(3) (1)

A hipótese de que as barragens de Mariana (MG) tenham se rompido devido ao tremor de magnitude 2.6, ocorrido no dia da tragédia, 5 de novembro, é improvável na visão de engenheiros da área e especialistas em sismologia. O abalo sísmico pode não ser a causa do rompimento das barragens, mas a gota d’água, de acordo com o professor de Engenharia de Minas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), André Zingano. “Atividade de 2.6 não é algo grande. Até 3 graus pode ser insensível, esse tipo de terremoto não causa danos a estruturas. O que dá para dizer é que a barragem tinha problemas. Se tivesse em condição, não teria rompido”, segundo ele.

A baixa atividade sísmica no país não é considerada pela regulamentação oficial de construção de barragens no Brasil. “As normas de construção de barragens da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) não preveem eventos sísmicos. Se a causa da ruptura foi esse evento, as normas têm que ser revistas”, argumenta o engenheiro de minas. Para Jackson Calhau, do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), na literatura da área existem relatos de rompimento de barragens de rejeito, mas apenas com sismos maiores que a magnitude de 4.8 graus. A situação de Mariana, porém, é mais agravante na opinião do especialista. “A maioria desses eventos estava afastado pelo menos 50 km da barragem. No caso de Mariana, o epicentro foi praticamente na mesma área da represa”, observa.

De acordo com o sismólogo, a barragem de Mariana deveria suportar o tremor, embora o centro de Sismologia da USP aponte Minas Gerais como uma região de intensa atividade sismológica, como relatado no mapa abaixo.  Na região, estão registrados tremores de magnitude 5, que já chegaram a desabar casas com estruturas mais fracas. No entendimento do professor de engenharia de minas da UFRGS, Jair Carlos Koppe, a atribuição da ruptura ao terremoto é mera especulação, visto que tremores com a magnitude registrada em Mariana não causam ruptura em barragens daquele porte. “Nesses valores de tremores não existem danos registrados em estruturas civis. A magnitude é muito pequena para tal”, sustenta.

mapa