Acampamento Farroupilha melhora segurança contra incêndios, mas medidas são insuficientes

A semana farroupilha inspira, desde 1981, uma parte da população tradicionalista sul-riograndense a largar suas casas por um mês e viver as tradições culturais campeiras. Desde então, nunca houve, no Parque Harmonia (atual Parque Maurício Sirotsky Sobrinho), uma política de segurança especial para o evento. Os incêndios na Boate Kiss e no Mercado Público serviram como um alerta para que, pela primeira vez, o Corpo de Bombeiros tenha uma “Brigada de Incêndio” no local, juntamente com a Brigada Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal, que já acompanham o acampamento tradicionalmente.

A Coordenação de Tradição e Folclore da Secretaria Municipal da Cultura (SMC) promete seguir regras rígidas de combate a incêndios, visto que o dia-a-dia dos piqueteiros é com fogão a lenha aceso e pouca atenção aos focos de chamas. Para isso, houve treinamentos, dicas e organização do local. Neste ano, 380 piquetes foram montados no Parque.
Capa galpão precisou comprovar a participação de pelo menos um integrante da equipe no treinamento oferecido pelo Corpo de Bombeiros para realizar a inscrição dos lotes. A fiscalização ocorreu entre os dias 3 a 7 de setembro, e, mesmo assim, algumas irregularidades passaram despercebidas aos olhos dos agentes. Com isso, durante todo o evento houve fiscalizações e interdições para evidenciar que os responsáveis estão fazendo sua parte.

“A questão toda é que não temos projeto. Termina um acampamento e outro projeto deveria ter começado na questão de urbanização no local, acesso, ruas, situação dos piquetes, sua posição, afastamento, instalações internas, extintores de incêndio”, afirma Telmo Brentano, engenheiro de incêndio.

Nesta edição, não há, segundos dados do SMC, acampados nas áreas em que não é possível o acesso aos caminhões de bombeiros. Além disso, as ruas foram alargadas, favorecendo a passagem dos mesmos. Os barracões não puderam ser montados rentes uns aos outros, no mínimo uma distância de um metro deve ser respeitada. “Bobagem! Isso é uma bobagem”, exclama Brentano, explicando que a distância estipulada não influencia na dispersão da fumaça. “Se pegar fogo num galpão, vai se alastrar para outros rapidamente, mesmo com o espaço. Precisa é de medidas de segurança e cuidado”, enfatiza.

A cobertura de capim nos galpões só pode ser usada se o responsável pelo piquete (patrão) obedecer às normas de realizar aberturas no teto, para facilitar a saída da fumaça. Os botijões de gás devem ficar fora dos galpões, com mangueiras vistoriadas pelo bombeiros. No entanto, alguns botijões encontram-se em frente aos visitantes, tirando o risco do acampado, mas repassando-o para o visitante.

O patrão do piquete Canta Galo Herança de Sanga Funda, João Tadeu, enfatizou que as portas, antes abertas para dentro, deveriam obedecer às normas e ser abertas para fora. As placas indicativas de localização e extintores A, B e C foram lembradas com ênfase pelo Patrão.

“Estamos tentando melhorar o que não pode ser melhorado. A incompetência administrativa de quem comanda esse evento é evidente, pela falta de projeto organizacional e de segurança”, afirma Brentano. O engenheiro de incêndio acrescenta que, depois que os piquetes estão instalados, fechá-los é um absurdo. “Não é culpa dos piqueteiros, o problema gerencial é que é muito grave”, completa.

Um problema comentado pelos visitantes e acampados são aqueles que usam muitos eletrodomésticos em seus piquetes e causam uma sobrecarga de energia. Microondas e chuveiros elétricos são aparelhos raros no local e, mesmo assim, devem ser evitados para o conforto de todos. Quedas de energia aconteceram no local, mas não prejudicaram a festa por muito tempo.

O Sargento Geraldo, integrante da Brigada de Incêndio no Acampamento Farroupilha, comenta que houve diversas reuniões sobre segurança durante toda a preparação e montagem dos galpões. “Hoje, é proibido ter o botijão dentro do piquete, o que foi uma inovação na questão de cuidado com o piqueteiro”, explica.

“Essa imensa colocação de madeiras e restos de cadeiras entre um piquete e outro é uma situação que poderia aumentar a capacidade do fogo de se propagar. O corpo de bombeiros só tem a função de atuar aqui quando o fogo está maior. A edificações são altamente combustíveis e foi preciso graves acidentes para despertarmos para o problema”, lamenta Brentano.

Essas mudanças são iniciativas emergenciais e projetos-piloto para os próximos anos. A segurança está sendo melhorada e modificada, mas deverá ser aprimorada nas próximas edições da festa, conforme os especialistas.

Texto: Julia Bernardi (2° semestre)
Foto: Emílio Camera (3° semestre)