Acampamentos pró e contra impeachment reforçam a estrutura para manifestações durante votação na Câmara

  • Por: Fernanda Lima (3º semestre) | Foto: Sara Santiago (3º semestre) | 16/04/2016 | 0
Ambulantes vendem produtos alusivos ao impeachment nas ruas de Porto Alegre. (Mia Sodré)
Ambulantes vendem produtos alusivos ao impeachment nas ruas de Porto Alegre.

Com a aproximação da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, prevista para o dia 17 de abril, os grupos porto-alegrenses pró e contra o afastamento do governo do Partido dos Trabalhadores (PT) se dedicaram, na véspera, aos preparativos para os atos que ocorrerão em paralelo às atividades do Congresso Nacional.

Manifestantes pró impeachment homenageiam o juiz Sérgio Moro. (Mia Sodré)
Manifestantes pró impeachment homenageiam o juiz Sérgio Moro.

No acampamento pró impeachment no Parque Moinhos de Vento, na sexta-feira, o clima era de bom humor e otimismo, com a confecção de faixas convocando para manifestação dia 17 de abril, às 14h, no local. Nos últimos dias a estrutura do acampamento sofreu algumas mudanças que, segundo Jorge Colares, empresário de 54 anos aclamado “prefeito” do espaço, se voltam a garantir mais segurança aos manifestantes. Alguns cartazes indicavam o “Muro da Vergonha”, apontando como “traidores” os deputados contrários ao impeachment, de “indecisos” os sem posição e que “amam o Brasil’’ aqueles a favor do processo.

Havia ainda cartazes de “fora Cunha, fora Renan”. Apesar de não haver mais de dez pessoas no acampamento na tarde de sexta-feira, Colares disse que espera mais de 100 mil participantes no evento de domingo (17) e se mostrou muito otimista com o resultado, anunciando que ficarão no local “até a Dilma cair ou o Lula ser preso”.

Apoiadores do governo Dilma Rousseff acampam na Praça da Matriz. (Sara Santiago)
Apoiadores do governo Dilma Rousseff acampam na Praça da Matriz.

Na Praça da Matriz e nas ruas do Centro Histórico de Porto Alegre havia muita movimentação na tarde de sexta-feira, 15 de abril, com a chegada de mais grupos de manifestantes do interior do Estado. O clima era de tranquilidade e organização, com barracas ocupando a praça, pessoas conversando, tomando chimarrão, crianças brincando, jovens andando de skate, todos formando uma grande comunidade. Organizadores faziam instalação e teste de equipamentos de som para os eventos de sábado e domingo. Representantes de sindicatos, organizações e movimentos se faziam presentes, com bandeiras e barracas. Na praça foram instalados diversos banheiros públicos e pias de cimento com mangueiras que servem para limpar frutas e verduras.

Enquanto na praça, a organização cuidava dos preparativos para os atos de sábado e domingo, na Esquina Democrática, manifestantes sobre dois carros de som divulgavam mensagens e cantavam em apoio ao governo e contra o impeachment. O ex-governador Tarso Genro foi um dos que ocuparam o microfone denunciando o golpe da oposição ao governo de Dilma.

Nos dois pontos da cidade, os mais felizes com as aglomerações eram os vendedores ambulantes que exibiam seus produtos, como camisetas e bandeiras. No Parcão, o vendedor Paulo Juliano, 33 anos, posava com bonecos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff vestidos de presidiários e projetava “muitas vendas”, temendo até a falta de material.