Imprensa gaúcha coloniza o Parque Assis Brasil para cobertura da Expointer

Casas de dois pisos com luminárias tradicionais, hall de entrada para visitantes, seguranças e recepcionistas na porta e logomarcas reluzentes. Assim são as casas dos principais veículos de comunicação do estado que fazem questão de ocupar espaço próximo ao Pavilhão das Autoridades e à pista de competições da Expointer, tradicional feira agropecuária do Rio Grande do Sul. Nestas sucursais, os meios de comunicação recriam redações e estúdios para repórteres e produtores produzirem reportagens e entrevistas durante todos os dias do evento que movimenta a economia do Estado. Nesta 37ª Expointer não foi diferente.

Na calçada em frente a casa da Band, na quinta, 5 de setembro, Paulo Bogado, apresentador do Brasil Urgente, da Band TV, fazia direto seu programa. De bota, bombacha e lenço vermelho, explicava sua presença no Parque de Exposições Assis Brasil. Ao lado dele, animais, que eram atração da feira, preenchiam o cenário. Seu programa, que em geral aborda temas policiais, é adaptado para a feira. Para ele, a importância de cobrir esse evento está relacionada com a grandiosidade da feira, e o papel indispensável do agronegócio para a economia do Estado. “A Band está aqui não só com a editoria do agronegócio. Todas as editorias estão aqui, com exceção dos esportes”, disse o apresentador. Segundo ele, a dinâmica de trabalho na Expointer permanece a mesma da redação.

Expointer 2014.
37ª Expointer aconteceu entre os dias 30/08 e 07/09.

Outro grupo de comunicação presente no evento, a TV Pampa também costuma voltar suas pautas para a Expointer. Segundo a produtora do programa Pampa Boa Noite, Bruna Ramos, a pluralidade de pautas é grande. Do nascimento de um bezerro aos negócios e economia, não falta trabalho para o repórter. “Estamos pensando em pautas para o público não-rural, tentando traduzir os assuntos para o público da cidade. Às vezes, surgem pautas que não estão ligadas a feira especificamente como uma panfletagem política que houve mais cedo”, relatou a produtora. Os presidenciáveis Marina Silva (PSB), Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) visitaram a Expointer entre os dias 4 e 6 de setembro.

A imprensa oficial (da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócio) é a que mais trabalha nos dias da feira. Segundo a diretora de jornalismo da Assessoria de Comunicação, Carine Prevedello, a produção da equipe nesta edição repercutiu bastante. “Somos monitorados pelo governo do estado o que nos dá uma visão de como o conteúdo entra na imprensa. Temos uma repercussão no nível estadual e até nacional”. Carine contou que as notícias mais aproveitadas são as relativas aos números da Expointer, principalmente, aqueles referentes aos negócios e ao público que compareceu. Para ela, a notícia que chegou mais repercutiu foi o levantamento de negócios total da feira que girou em torno de R$ um bilhão e meio, e que poucos minutos após ser publicada apareceu em grandes portais de notícias como o G1.

Veículos menores, como a rádio Itapuã de Viamão, têm à disposição salas junto à Assessoria de Comunicação do evento para transmitir seus programas direto de lá. “Tinha gente de Manaus nos ouvindo”, conta Antônio Ilha, que apresentava o programa. Segundo ele, o site oficial da Expointer serve de base para a produção de inúmeras pautas. “Perdi a conta de quantas pessoas entrevistamos hoje. Até tentamos entrevistar a Marina Silva, mas não conseguimos”. Os três repórteres da equipe passavam o dia caminhando pelo parque em busca de histórias diferentes. Carlos Antônio Jornada estreou na cobertura da feira em 2014. Habituado a editoria de esporte, encarou pela primeira vez o desafio de cobrir uma feira de agronegócio. “Eu sempre fiz entrevistas, mas minha área era o futebol”, conta. Ele, que só tinha vindo à feira uma única vez, há alguns anos, ficou contente com a experiência. “Gostaria muito de voltar ano que vem”, relata o repórter da rádio Itapuã.

A repórter Isadora Neumann, de Zero Hora, tinha a tarefa de produzir matérias para o público da cidade, que não está acostumado com a realidade do campo. Sendo assim, a repórter buscou pautas de entretenimento, para mostrar aspectos descontraídos do evento, voltadas para quem não se interessa ou não entende de agronegócio, mas sem deixar de prestar serviço. “Como tudo era meio novo na feira pra mim, as pautas foram surgindo naturalmente”, revelou. “O Guia da Selfie na Expointer” é um exemplo da tradução campo/cidade. A matéria aproveitava a onda das selfies para dar dicas de como se portar diante dos animais na feira. Segundo ela, isso atrai um perfil de leitor que passaria longe das notícias relacionadas ao evento. “É uma matéria de serviço e de comportamento, com um gancho aparentemente fútil, mas que trata de um assunto relevante”, analisa.

No Jornal do Comércio, conhecido por tratar de negócios e economia, Giana Milani foi escalada para trazer pautas mais leves como o sushi no cardápio do maior restaurante da feira, o Boulevard, e o sorvete de erva-mate. Ela reforça o que alegam os colegas: “a Expointer ė uma das maiores feiras do Estado e merece uma grande cobertura.”

Velhos problemas

A Expointer chegou à sua 37ª edição em 2014, mas alguns problemas continuam os mesmos. Filas na bilheteria faziam os visitantes esperar por volta de 20 minutos, mesmo em dia de semana, quando o movimento é menor. A falta de placas de sinalização indicando a localização e as atrações nos mais de 134 hectares do Parque de Exposições Assis Brasil também motivou reclamações do público que compareceu à feira. Felizmente, os soldados da Brigada Militar, responsáveis pela segurança do parque, ajudavam quem não sabia a direção das estandes ou da atração que procurava.

Texto: Bruna Zanatta, Júlia Bernardi (4º semestre) e João Pedro Arroque Lopes (6º semestre).
Fotos: Frederico Martins (6º semestre) e Luiza Meira (2º semestre)