Água e produtos de limpeza são as principais necessidades na nova ocupação da Lanceiros Negros

Desde terça-feira (3), a Ocupação Lanceiros Negros está de casa nova. Desta vez, em um prédio na Rua das Andradas.

  • Por: Gabriel Bandeira (3º Semestre) | 06/07/2017 | 0

Desde a madrugada de terça-feira (3), integrantes da Ocupação Lanceiros Negros, vinculados ao Movimento Livre nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), estão ocupando o antigo Hotel Açores Express, na Rua dos Andradas, 855, no Centro Histórico de Porto Alegre. O prédio foi um dos hotéis que fecharam após a Copa do Mundo de 2014 e estava desocupado desde então. 

De acordo com o MLB, 150 famílias se encontram na nova ocupação, mais que o dobro dos 70 da anterior. A nova ocupação é constituída pelas famílias que estavam na Lanceiros Negros e as famílias do núcleo do movimento, que se encontravam em áreas de risco, enchentes e conflitos sociais.

Além de baldes, vassouras, panos e desinfetante, os moradores necessitam principalmente de água e produtos de limpeza. “As famílias querem uma moradia definitiva e digna, que tenha o mínimo como água, luz, banheiro, escola, creche e postos de saúde”, defendeu André Ferraz, um dos moradores da ocupação. Os membros do grupo criaram a Creche Anita Garibaldi para atender às crianças.

Dentro do prédio,  as famílias dividem as tarefas de acordo com o seu tempo livre, isto é, fora do horário de trabalho, se organizando em comissões decididas em Assembleia, onde também é escolhida a coordenação da ocupação.

O pedido de reintegração de posse proferido pelo Hotel Açores S/A, realizado na tarde de terça-feira, foi acatado pela juíza Luciane Marcon Tomazelli, da 1ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre. A Ocupação têm cinco dias para deixar a construção de maneira voluntária.

Na noite de 14 de junho, o grupo havia sido retirado da antiga ocupação, localizada na esquina das ruas Andrade Neves e General Câmara. Na ocasião, soldados da Brigada Militar retiraram cerca de 70 famílias do prédio, em um confronto que resultou na prisão de oito pessoas, incluindo a detenção do deputado estadual Jeferson Fernandes (PT). Após o desalojamento, as famílias foram levadas para um abrigo provisório, mas tiveram que deixar o lugar no dia seguinte.

“Durante toda a tentativa de negociação, o Governo não apresentou nenhuma proposta além da retirada dos moradores. Os pertences foram colocados em depósitos e alguns ainda ficaram dentro do prédio, sendo que as famílias receberam um prazo de 24 horas para saírem do local”, contou Ferraz.