Alunos sem aulas e sem previsão de recuperação

Cpers protesta contra parcelamento salarial e projeto estadual que prevê congelamento de salários dos professores pelos próximos quatro anos.

  • Por: Nicole Oliveira (2ºsemestre) | Foto: Wellinton Ticca (1º semestre) | 02/09/2015 | 0

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Escola Estadual de Ensino Fundamental Rio de Janeiro ficou vazia, na última terça-feira (02/9)  devido à paralisação dos professores e funcionários.

No terceiro dia da greve dos educadores, motivada pelo parcelamento do salários, as escolas continuavam fechadas, os alunos sem perspectivas de um ano letivo regular e a direção do Centro dos Professores do Rio Grande do Sul (Cpers) não tinha em pauta ainda a recuperação dos dias de aulas perdidos. A questão da reposição das aulas nesta quarta-feira (02) permanecia nebulosa. A diretora do departamento de funcionários de escola do Cpers, Sônia Solange Viana declarou na terça-feira ao Editorial J que “os professores irão recuperar as aulas se o governo pagar, se não tiver pagamento não terá recuperação”. Nem 24 horas depois, em entrevista a rádio Gáucha, a presidente Helenir Schürer afirmou ser uma questão de honra o cumprimento dos 200 dias letivos previstos em lei e garantiu que a luta dos professores nunca foi contra os estudantes.

O Cpers e as 44 entidades que protestam pela medida adotada pelo governo estadual, alegou que a discussão ultrapassa os limites do parcelamento dos salários. “Não é só isso, mas também o projeto que congela o nosso salários por quatro anos, sem nomeações e sem reajuste”, relatou Sônia. Os servidores acreditam na existência de outras maneiras para arrecadar o dinheiro que o governo precisa como o combate a sonegação fiscal e ao contrabando.

Segundo Sônia, foram raras às vezes que a categoria conseguiu sentar e conversar com o governador José Ivo Sartori. “Tem governos que acham que essas políticas sociais como a educação são prejuízos, mas nós achamos que são benefícios. É para a sociedade gaúcha que a gente trabalha, mas para fazer nosso trabalho com qualidade, precisamos receber”, desabafou ela. A respeito da duração da greve a orientação é que está seja mantida até o pagamento em totalidade dos salários. “Vê se ele parcelou o do judiciário e da assembléia. Nós estamos indignados”, reclamou.

A diretora da Escola Estadual de Ensino Fundamental Rio de Janeiro, Adriana Becker Ruschel, 51 anos, conta que há dois meses o governo não repassa as verbas destinadas a compra de materiais. “Vou ter que pedir ajuda até para comprar o papel higiênico”, revelou. A situação na escola está complicada, de acordo com Adriana, algumas merendeiras já comunicaram que não terão dinheiro para a passagem de ônibus, o que impedirá o trabalho delas. “É um clima ruim, tem professores que querem a greve e outros não”, afirmou a diretora. Devido a paralisação, poucos alunos têm frequentado as aulas, contudo, uma professora decidiu convocar os estudantes e está lecionando, outras três optaram por não aderir a greve e apenas comparecerem à escola.

Conforme Adriana, haverá a recuperação das aulas, porém a diretora não acredita que a greve irá resultar em algo positivo. “Na verdade, é tudo o que o governador quer, que a gente pare, ele aumente os impostos e possa privatizar o que quiser”, salientou ela.

A equipe do Editorial J tentou entrar em contato com a Secretaria de Educação, mas foi informada de que o secretário estava em viagem e não poderia comentar o assunto.