Primeiro ambulatório para trans e travestis é inaugurado em Porto Alegre

Atendimento especializado é oferecido às quartas-feiras no Centro de Saúde Modelo da Capital

  • Por: Lara Moeller (2º semestre) | Foto: Luciano Lanes / PMPA | 08/08/2019 | 0

Desde 7 de agosto, Porto Alegre conta com o primeiro ambulatório especializado em atendimento integral à população trans e travesti. O serviço, que é oferecido no segundo andar do Centro de Saúde Modelo, na rua Jerônimo de Ornellas, inclui consultas, exames, acompanhamento e acolhimento psicológico, tratamento hormonal e encaminhamento para cirurgia de redesignação de sexo e mudanças corporais no programa Transdisciplinar de Identidade de Gênero (Protig) do Hospital de Clínicas, que é referência no procedimento.

A agenda do ambulatório já está com datas marcadas para todo o mês de agosto, e a expectativa é de que sejam, em média, 80 atendimentos mensais. As consultas são agendadas via WhatsApp (519938-3572) e o atendimento ocorre nas quartas-feiras (das 17h30 às 21h30) para moradores de Porto Alegre. Dois médicos residentes e um grupo de residentes compostos por enfermeiros, assistentes sociais, biomédicos e farmacêuticos prestam serviços no local. 

A assessora técnica da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Simone Ávila, explicou que o ambulatório já estava previsto na Política Municipal de Saúde Integral LGBTQI+, anunciada no dia 28 de junho deste ano. “O ambulatório é uma demanda  antiga do movimento social que, desde 2012, pleiteia atendimento psicoterapêutico e oferta de hormonização na rede municipal”.

Marcelly Malta, presidente da Igualdade (Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul) considera a inauguração do ambulatório um grande avanço. No ano de 2014, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, a associação criou o projeto Transdiálogo, que buscava capacitar e sensibilizar os profissionais de postos de saúde sobre de questões ligadas à identidade de gênero e respeito à diversidade. 

Apesar da capital gaúcha ter demorado a oferecer um centro especializado em tratamento à população LGBTQI+, outros estados brasileiros já trabalham essa questão há algum tempo. São Paulo teve seu primeiro ambulatório implantado pela Secretaria de Saúde do estado ainda em 2009. Outros estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia e Brasília também já contam com o sistema. O SUS (Sistema Único de Saúde) passou a realizar cirurgias de redesignação para mulheres transexuais em 2008. Até 2016, apenas cinco hospitais do País podiam realizar a cirurgia transgenital pela rede pública de saúde, sendo um deles o Hospital de Clínicas de Porto Alegre.