Analfabetismo cai 3,1 pontos percentuais em 10 anos

O Brasil ganhou 300 mil novos analfabetos em um ano. É o que aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2012, divulgada no último dia 27 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  Agora, o país possui 13,2 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever, frente aos 12,9 milhões registrados em 2011, um aumento de 0,1%. Em dez anos, o Brasil conseguiu diminuir o analfabetismo em 3,1 pontos percentuais.

Esses valores, entretanto, fazem com que o país se distancie da meta firmada com a Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir a taxa de analfabetismo a 6,7% até 2015. Para Bruno Novelli, gerente de projetos e avaliação da Alfabetização Solidária (AlfaSol), entidade de sociedade civil que trabalha com educação de jovens e adultos, será necessário, no mínimo, mais 10 anos para a erradicação do analfabetismo. “É um problema que vamos conviver por muito tempo se continuar nessa velocidade”.

 

 

Se por um lado esses números ligam o alerta amarelo, por outro é necessário prudência para entender o motivo desse crescimento. O IBGE diz que essa variação de 0,1% não configura de fato um aumento, mas um valor dentro da margem de erro. O Instituto também destaca que somente o próximo Pnad pode revelar se esse acréscimo no número de analfabetos é uma tendência ou não, discurso que o gerente de projetos e avaliação da Alfasol também concorda.

Novelli acredita que a explicação desse aumento registrado no número de analfabetos pode estar em 2011. O Pnad daquele ano divulgou que o Brasil havia diminuído o analfabetismo em 1% em relação a 2010. “Para ter uma redução de 1% é necessário um esforço enorme de atendimento, de campanha, de algo realmente muito generalizado”. Segundo Novelli, o IBGE superestimou essa queda, pois é uma pesquisa amostral e não censitária. Essa inflação de números em 2011 refletiu em 2012, que neste ano voltou a patamares mais próximos da realidade do país.

Maria Conceição Christofoli, coordenadora do Núcleo de Educação de Jovens e Adultos (NEJA) da PUCRS, crê que outra explicação para esse aumento de analfabetos pode estar na falta de investimento na instrução de jovens e adultos. “Precisa de mais escolas, especialmente em municípios de zona rural”. Novelli também adiciona que é necessário que a educação dessas pessoas deixe de ser um programa e vire uma política pública, além de reformular e adaptar o ensino a realidade deles. “Às vezes, os jovens e adultos não podem participar (das aulas de alfabetização) o ano todo de forma constante. E eles têm que ter a condição de voltar e dar continuidade aos estudos e não serem excluídos da escola de novo”.

Para o futuro, Novelli acredita na volta do decréscimo do analfabetismo em ritmo lento. Entretanto, ele destaca que também ocorreram progressos, como o aumento paulatino do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), melhora da evasão escolar e crescimento da média de anos de estudos da população. Maria Conceição também acredita na queda do analfabetismo, mesmo ressaltando a necessidade de mais investimentos dos governos no ensino para jovens e adultos. “Educação se faz muito com trabalho e esperança”, finaliza.

Texto: Patricky Barbosa (6° semestre)