Apanhador Só canta e toca em apoio às ocupações

Show aconteceu na quarta-feira, 8 de junho, no Instituto de Educação General Flores da Cunha.

  • Por: Bibiana Garcez (5º sem.) | Foto: Annie Castro (4º sem.) | 10/06/2016 | 0

Apanhador Só realiza show em apoio à Ocupa IE

Em apoio à luta dos secundaristas, a banda Apanhador Só se apresentou na quarta-feira ontem (8) no Instituto de Educação General Flores da Cunha. A entrada do evento era um quilo de alimento não perecível ou algum produto de limpeza, uma ajuda necessária para manter a ocupação. O colégio, tomado pelos alunos desde 18 de maio, se organiza de forma independente de partidos e demais entidades.

A apresentação estava marcada para as 19 horas, mas começou com atraso, perto das 20 horas. No hall de entrada da escola, cheio, os quatro integrantes da banda se reuniam, sentados. A proposta do show Acústico Sucateiro é de proximidade com o público: o grupo inclusive realiza apresentações nas casas dos fãs. Muitos dos instrumentos tradicionais são substituídos por objetos como panelas e suas tampas, raladores, pratos de bateria amassados e colheres de madeira: sucata.

De acordo com Alexandre Kumpinski, vocalista do grupo, as ocupações são um exemplo de luta. “Nós estamos usando um pouco da potência que temos como artistas para trazer gente aqui para dentro. Não só para doar alimentos e produzir limpeza, que é o que o Instituto precisa, mas para fazer com que eles vejam as ‘ocupas’ com os próprios olhos e conversem com os secundaristas”, afirma. Ele ainda exaltou exalta a importância de se posicionar: “Não se posicionar já é um posicionamento”. A banda já esteve na Escola Presidente Roosevelt, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, também ocupada, além de divulgar para os fãs para eventos em apoio à luta.

A divulgação do evento ocorreu pelo Facebook, unindo mais de 2 mil pessoas, entre interessados e confirmados. Victor Pulla, estudante de Psicologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), não tinha visitado nenhuma ocupação até o show. “Acho muito importante vir, dar o apoio que os estudantes necessitam. As reivindicações são muito relevantes”, explica.

Seguindo a linha intimista do Acústico Sucateiro, a banda não prepara playlist: os presentes dizem que músicas querem ouvir. Ao receberem o pedido de Líquido Preto “Líquido Preto”, a banda propôs uma reflexão. Eles consideram dois trechos da música problemáticos e pediram a opinião do público de como poderiam ser substituídos. “É uma música que a gente fez em 2011, antes de se questionar sobre algumas coisas”, disse Kumpinski, ao abrir a discussão.

O primeiro deles já é a primeira frase da música: “Pau no cu de quem não quer dividir esse refri com a minha mulher”. O uso da expressão “pau no cu” como algo negativo foi considerado homofóbico e substituído por “pau no Cunha”, em alusão ao presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

O segundo está no refrão: “Num líquido preto, preto e docinho, docinho e cheio, cheio de gás? Que é uma delícia, te deixa gorda”. A proposta inicial era substituir gorda por gordo. “Se é pra jogar pra alguém o malefício de ser gordo, que seja pro homem. Mas ainda assim, ser gordo não é um problema. Alguém tem alguma sugestão?”, disse. A decisão foi mudar por “diabético”. A discussão e a versão alterada da música podem ser ouvidas abaixo:

O microfone, contudo, não era de exclusividade da banda. Os alunos do Instituto foram convidados a falar. Fredericco Restori, do terceiro ano do Ensino Médio da instituição, começou sua manifestação dizendo que nunca viu a escola tão cheia de vida. “Pros professores, a gente não tem voz. A gente conseguir agora conquistar uma voz, poder e bater de frente com um governo que está sucateando a educação, ter poder… é do c… eu fico emocionado”, falou, entre aplausos dos presentes. Além dele, mais estudantes estiveram no centro transformado em palco, tocando junto do grupo.