Apoio da Força Nacional não altera condições da Brigada Militar para combater a criminalidade

A persistente falta de recursos da BM provoca descrença na eficácia da ação da Força Nacional em Porto Alegre

  • Por: Gabriel Bandeira (2º sem.) | 06/09/2016 | 0
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Apesar da recepção amistosa por parte da população à Força Nacional de Segurança que está em Porto Alegre desde o dia 30 de agosto, soldados da Brigada Militar seguem reclamando da falta de condições para combater a criminalidade no Estado. Em relato anônimo na página Porto Alegre 24 Horas, um soldado da Brigada Militar relatou que os colegas da Força Nacional são conduzidos a certo ponto onde ficam estacionados até acabar o turno e não possuem rádio comunicador na frequência da BM e tão pouco GPS.

“É impossível que a Força Nacional resolva o problema da segurança em Porto Alegre”, sustenta Ricardo Agra, secretário-geral da Associação Beneficente Antônio Mendes Filho, instituição representante dos cabos e soldados da Brigada Militar, ao comentar o post anônimo. “Mesmo recebendo R$ 300 por dia e tendo equipamento completo, os soldados são postos em pontos fixos e efetuam policiamento estático, sem poderem realizar prisões”, relata Agra. Os soldados da BM sofrem pela falta de viaturas, armamento e coletes balísticos. Ao ser perguntado sobre o que os brigadianos fariam após terminar os 60 dias de atuação da Força Nacional, Agra disse que parte da pergunta deveria ser dirigida ao governador Sartori, e reforça a intenção do chamamento de novas greves.

O tenente-coronel Mário Ikeda, comandante do Comando de Policiamento da Capital, que atende pela totalidade de soldados, questionou a veracidade das informações sobre a BM, considerando as queixas um “equívoco”. Sobre a mobilidade da Força Nacional, o coronel afirmou que todos soldados trabalham sobre a mesma legislação e, portanto, devem ter igual atuação da BM.

Na última década, houve um aumento de 70% dos casos de homicídio no Rio Grande do Sul, conforme dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública. Esta dado associado à pesquisa realizada pela ONG Consejo Ciudadano que aponta Porto Alegre como a 43ª posição cidades mais violentas do mundo indicam a gravidade do problema da criminalidade no Rio Grande do Sul.

Essa situação se agravou na quarta-feira (25), quando Cristine Fagundes, 44 anos, foi assassinada enquanto esperava o seu filho, em frente ao Colégio Salesiano Dom Bosco, na Zona Norte. Horas depois, em meio a pressão pública, o ex-secretário de segurança Wantuir Jacini decidiu entregar o cargo. Em resposta, o governador Jose Ivo Sartori anunciou a chegada da Força Nacional de Segurança, que atua desde o dia 30 de agosto na capital, totalizando 294 soldados.