Aposentadorias reduzem quadro da segurança em 1,5 mil servidores

Em oito meses, as solicitações de aposentadoria superam as de todo ano passado.

  • Por: Camila Spanemberg (2º semestre) | 14/09/2015 | 0

De janeiro a agosto deste ano, o número de policiais civis e de integrantes da Brigada Militar que pediram aposentadoria já é superior ao total de solicitações feitas em 2014. Até agosto deste ano, 1.239 brigadianos solicitaram ingresso na reserva e 308 policiais civis decidiram deixar o serviço público, totalizando uma redução de mais de 1,5 mil servidores da área de segurança pública do estado. Os dados são da Associação Beneficente Antônio Mendes Filho (Abamf) que reúne servidores da Brigada Militar.

O aumento no número de encaminhamentos de aposentadoria se deve ao parcelamento dos salários e à decisão do governo de ampliar o período de atuação desses servidores, conforme estabelece a Projeto de Emenda à Constituição (PEC) 244. Esta última é a razão do pedido de aposentadoria de Ricardo Agra, integrante da Brigada Militar e secretário-geral da Abamf. “Entrei com o objetivo de seguir a carreira durante 30 anos, mas caso está PEC seja aprovada, terei que trabalhar mais cinco”, disse ele.

Um decreto impede desde janeiro a nomeação de novos integrantes concursados, fazendo com que não tenha pessoas o suficiente para substituir o número de funcionários que saíram. Hoje o efetivo da BM de 20.542 pessoas é o mesmo de 1975. Atualmente, há um militar para cerca de 540 habitantes e a Organização das Nações Unidas (ONU) determina que seja um para cada 250. Seriam necessários, no mínimo, mais 37 mil brigadianos, argumenta o secretário-geral da Abamf.

Para Agra, é muito mais perigoso ser policial nos dias atuais do que na década de 1980, por exemplo. Ao ser questionado sobre as dificuldades de se tornar policial hoje, ele considerou que “não gostaria, pois hoje o risco de confronto é muito maior e as armas são muito mais letais”.

A Abamf solicitou na sexta-feira (11) uma audiência com o deputado Maurício Dziedricki (PTB), relator da PEC 244, para tratar da questão. A representação dos servidores da BM rejeita totalmente a proposta. De acordo com o gabinete do deputado, será agendada a audiência para que a associação apresente as razões da contrariedade com o projeto.