Bancários fazem greves com as mesmas reivindicações há 12 anos

Os bancários entraram em greve na manhã do dia 6 de outubro devido à falta de atendimento a reivindicações que vem sendo feitas desde 2003, quando as greves anuais começaram.

  • Por: Ysrael Falcão (1º semestre) | Foto: Wellinton Almeida (1º semestre) | 06/10/2015 | 0

Greve dos bancários

Os bancários entraram em greve na manhã do dia 6 de outubro devido à falta de atendimento a reivindicações que vem sendo feitas desde 2003, quando as greves anuais começaram. Reajuste de 16% (os banqueiros ofereceram 5,5%), maior participação nos lucros, mais concursos, resultando em mais contratações, um piso salarial maior, auxílio creche no valor de um salário mínimo e questões como assédio moral e metas abusivas são as principais reivindicações que os bancários fazem.

O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Sul (SindBancários), Everton Gimenis, lembrou que o Brasil está atualmente passando por um momento diferente economicamente, entretanto os bancos vêm mantendo seus lucros nas alturas, inclusive batendo recordes. “Tanto aqui em Porto Alegre quanto colegas de outros Estados vem se mostrando muito indignados com a proposta da Fenaban [Federação Nacional dos Bancos]. Os banqueiros passam chorando nas mesas de negociação contra crise financeira. Mas, para eles não tem crise. Essa proposta nos desrespeita e vai servir de combustível para nos mobilizarmos”, explica Gimenis.

Seis dos mais importantes bancos do país (Itaú, Banrisul, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa) lucraram juntos R$ 36,6 bilhões. Segundo o presidente do SindBancários, a tendência é que a greve deste ano se iniciar forte e que esta será uma paralisação marcada pelo diálogo com a população e pela indignação dos trabalhadores.

“Além de nos oferecerem um reajuste que nos traz perdas salariais e de ser quase 50% inferior à inflação, agora soubemos que os banqueiros estão aumentando os supersalários dentro dos bancos. Isso acontece, inclusive dentro do Banrisul. O contexto deste ano indica que precisamos ampliar a nossa mobilização, ampliarmos a nossa greve para podermos arrancar aumento real”, explicou o secretário geral do sindicato, Luciano Fetzner.

Uma pesquisa foi realizada com 1.117 bancários do Rio Grande do Sul, sendo 83% de bancos públicos e 17% de bancos privados. Uma das coisas que chamaram mais a atenção dos pesquisadores da Universidade Federal Ciências e Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) foi que 50% da categoria bancária utiliza algum tipo de medicação como analgésico, anti-inflamatórios, relaxantes musculares, dentre outros. Dos bancários entrevistados, 48% utilizam antidepressivos, 27,8% ansiolíticos, 7,67% moduladores de humor.

Ao todo, foram 380 agências paralisadas no primeiro dia da greve nacional dos bancários, cerca de 70% de adesão. Nesta quarta-feira, 7 de outubro, o segundo dia da greve prevê atividades de mobilização a partir das 7h, almoço coletivo na Casa dos Bancários e sessão de cinema em caso de chuva.

Logo nas primeiras horas da manhã da terça-feira, 6 de outubro, a movimentação nas agências da capital e de cidades da Região Metropolitana anunciou que haveria disposição para a participação. Nesta quarta-feira, haverá mobilização na frente da sede da Direção Geral do Banrisul.