“Bancários Walk” denuncia alto grau de adoecimento na categoria

Pesquisa recente constatou que 49.7% dos funcionários apresentam um transtorno mental, como depressão, estresse e sofrimento psíquico.

  • Por: Matheus Wolff (2º sem) | Foto: Welinton Almeida (1º sem) | 14/10/2015 | 0

Com fantasias de zumbis, o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre protestou, no dia 14 de outubro, denunciando o adoecimento dos integrantes da categoria nas suas atividades bancárias. O zombie Walk foi criado para combater o baixo salário dos bancários, as metas abusivas e o grande índice de demissões. A greve da categoria iniciou, no Estado, na terça-feira, 6 de outubro.

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Julio Vivan, diretor de formação do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região


O protesto aconteceu na Praça da Alfandega às 13 horas com pessoas fantasiadas de zumbis que representam as doenças que atingem os funcionários. Júlio Vivian, diretor de formação do SindBancários, citou a ganância dos bancos que, mesmo neste momento crise, tiveram um crescimento de 26% em seu faturamento. A lógica de assistência operacional define ‘’fazer cada vez mais com cada vez menos pessoas’’, disse Vivian.

Uma pesquisa feita, em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, junto à categoria dos bancários constatou que 49,7% dos funcionários apresentam um transtorno mental, como depressão, estresse e sofrimento psíquico. Na população mundial, este índice fica em apenas 30,2% com estes transtornos. Além disso, 50% dos bancários utiliza algum medicamento sendo que 26,3% toma pelo menos um tipo de remédio.

Quanto aos salários, a principal reclamação é de que a proposta dos banqueiros foi de 5,5% de reajuste salarial, quase a metade da inflação deste período que foi de 9, 88%. Este protesto acontece há mais de dez anos. Na década de 90, os bancários chegaram a ficar sem reajuste. Conforme Julia Vivian, neste período, a cada 15 dias um bancário tentava se suicidar no Estado.

Quanto à participação dos bancários na greve, a avaliação do SindBancários é de que os funcionários da Caixa aderiram com mais força, inclusive com unidades em greve no interior do Estado. Em outros bancos, como do Brasil, há piquetes em agências buscando a adesão de mais funcionários. Quanto às agências do Banrisul, o sindicato informa que a participação na greve está crescendo, enquanto seguem as negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).