Barreira ecológica é instalada para conter o lixo flutuante no Arroio Dilúvio

Pioneira na América Latina, a obra pretende reduzir o lixo que vai parar dentro do Guaíba.

  • Por: Eduardo Pinzon (3º semestre) e Rhafael Munhoz (2º semestre) | Foto: Juliana Baratojo (5º semestre) | 29/03/2016 | 0
Funcionários içam lixo acumulado na barreira ecológica do arroio Dilúvio.
Funcionários içam lixo acumulado na barreira ecológica do arroio Dilúvio.

A poluição do Arroio Dilúvio é um problema antigo e conhecido por todos os porto-alegrenses. Na tentativa de mudar essa realidade, uma barreira ecológica para conter resíduos flutuantes no Dilúvio e impedir que cheguem ao Guaíba está em funcionamento desde a sexta-feira, dia 24 de março.

A “Ecobarreira” está localizada entre as Avenidas Praia de Belas e Edvaldo Pereira Paiva (Beira-Rio). Chamada de ilha flutuante, tem 20 centímetros de profundidade e atravessa na diagonal as duas margens do arroio, com o objetivo de direcionar os resíduos para uma gaiola e posteriormente içá-la à superfície.

Em quatro dias de operação, a estrutura flutuante já recolheu uma grande quantidade de lixo. Após a inauguração oficial, realizada nesta segunda-feira, dia 28, começou o içamento dos resíduos. De acordo com técnicos, a estrutura precisa ser ajustada, pois a gaiola balança com o vento e não encaixa na armadilha que coleta os dejetos. O encaixe só aconteceu após algumas tentativas, quando um funcionário do local balizou a estrutura com auxílio de uma vassoura.

Inauguração

O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), participou da inauguração e destacou a possibilidade da instalação de outras Ecobarreiras na cidade. “Não adianta só investir no tratamento do esgoto cloacal se o lixo plástico continua chegando ao Guaíba. A despoluição do Dilúvio é o caminho para reestabelecer a balneabilidade do Guaíba”.

Barreira ecológica deve operar por cinco anos.
Barreira ecológica deve operar por cinco anos.

A construção começou no início deste ano e a previsão é que comece a operar de forma plena a partir da segunda quinzena de abril.
Tarso Boelter, diretor geral do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), explica que os trabalhos serão divididos. “O DEP vai fiscalizar a operação do equipamento. O DMLU vai retirar os resíduos que forem coletados aqui e os transportara para a Estação de Transbordo na Lomba do Pinheiro”.

O projeto foi idealizado e financiado pela empresa Safeweb em um investimento de R$ 250 mil. De acordo com a prefeitura, a barreira deve operar por no máximo cinco anos, conforme acordo previsto. A ideia partiu do vice-diretor da Safeweb, Luiz Carlos Zancanella Junior, que se aborrecia ao ver tanta sujeira descendo a correnteza do Dilúvio. “Da janela da minha casa eu via barbaridades no Dilúvio. Sofá, pneus, garrafas PET e muito lixo. Quando eu vi um vídeo na internet mostrando uma barreira ecológica no Estados Unidos, resolvi trazer o projeto para cá”.

Quem passou pelo local ficou curioso com a quantidade de lixo recolhido em apenas três dias. Moradora do bairro Azenha, a auxiliar de serviços Elaine Nascimento acredita que a conscientização da população deveria ser maior. “Quem passa pela [Avenida] Ipiranga todos os dias sabe o quanto de lixo tem no Dilúvio. E como ele vai parar ali?”, questionou.

O Novo Código Municipal de Limpeza Urbana, aprovado em 2014, prevê multas para quem for flagrado descartando resíduos e locais inadequados. Os valores vão de R$ 263,82 a R$ 4.221,21. O descarte irregular de resíduos pode ser denunciado pelo Fala Porto Alegre, no telefone 156.