Boatos nas redes sociais procuram confundir eleitor

  • Por: | 26/10/2014 | 0

Nunca foi tão fácil expressar a opinião política – mesmo sem qualquer embasamento ou veracidade. As redes sociais tornaram difícil discernir o que é boca de urna daquilo que é apenas liberdade de expressão. “Petralhar” virou moda, assim como ser um ávido anti-petista passou a ser garantia de likes. O que a rede não permite é se abster do assunto: posts longe do espectro político passam despercebidos pela timeline.

O frenesi foi tão grande que essa é a primeira eleição da história em que o TSE proibiu tirar selfies junto à urna eletrônica.

Em busca do clique e – quem sabe? – da desmoralização do candidato rival, uma série de boatos brotou nas redes, principalmente no Facebook e no Whatsapp. Às vésperas do segundo turno, um deles tentou estremecer a campanha petista. A história, desmentida pela Polícia Federal, divulgou o envenenamento e morte do doleiro Alberto Youssef, delator do esquema de corrupção na Petrobras que está preso em Curitiba.

Relembre outras notícias falsas que correram pelas redes no período eleitoral:

  • Essa foi lançada pelo próprio PSDB. Segundo a página do partido, a candidatura de Aécio Neves foi prejudicada por uma fraude eleitoral. Algumas pessoas relataram que, depois de digitar o número do tucano, a urna mostrava a indicação de voto nulo. Será?
  • Textos que acusam Dilma Rousseff de terrorismo circulam na internet mesmo antes das eleições. As acusações, que ganharam força em outubro, se baseiam em uma foto dela com um fuzil e uma suposta ficha criminal. O documento convenceu até a Folha de São Paulo, que publicou uma matéria sobre o assunto – e, logo depois, uma errata.
  • A morte de Eduardo Campos foi um prato cheio para os fãs de teorias da conspiração. Dentre os boatos, dois se destacaram: a de que Dilma e, também, Marina Silva foram as responsáveis pelo acidente. A fofoca nasceu assim que foi divulgado que Marina desistiu de pegar o voo.
  • Depois, circulou a notícia de que Dilma teria criado uma lei que proíbe a divulgação de quaisquer dados a respeito de investigações sobre acidentes aéreos ocorridos no país. A Lei 12.970 existe sim, mas foi criada no dia 8 de maio de 2014, e não no dia 9 de agosto, pouco depois do acidente de Eduardo Campos. Ela foi sancionada pela então presidente e visa preservar a identidade das vítimas e suas famílias.
  • A coordenadora da Comissão de Propaganda do TRE, Maria Eduarda Barbosa, alerta para um golpe envolvendo ligações telefônicas. Ela conta que várias pessoas receberam telefonemas relativos a uma pesquisa eleitoral, que convida o ouvinte a digitar o número do candidato de sua preferência. Se for o candidato “correto” (a coordenadora não informou qual seria), o voto é computado; se não, uma mensagem de tentativa de mudança de voto é acionada.
  • Uma história que surgiu no primeiro turno e ganhou força no segundo é a de que Aécio Neves não gosta de ser investigado. O boato diz que, em dez anos, ele e seu sucessor Anastasia só permitiram três CPIs em Minas Gerais, tendo barrado mais de 70. Mas o fato é de que CPIs não necessitam de permissões do Poder Executivo para acontecer. Basta conquistar um certo número de deputados estaduais favoráveis à investigação.
  • Outro boato envolvendo o tucano surgiu depois da renúncia de Joaquim Barbosa ao STF: ele seria ministro da Justiça de Aécio Neves. A informação foi desmentida, mas logo uma capa falsa da Veja apontando que ele pedia votos para o tucano começou a circular nas redes.

Fique atento para não repassar informações falsas. Alguns sinais de que o post é puro boato: erros gramaticais, escrita toda em maiúscula e pedidos desesperados de curtidas e compartilhamentos. Sempre verifique a página do candidato e faça uma breve pesquisa no Google Notícias antes de compartilhar.

Texto: Caroline Michaelsen (7º semestre)