Rio Grande do Sul recebeu em média 3,56% do total do Bolsa-Família

O Bolsa-Família recentemente completou 10 anos. O programa foi implementado no dia 20 de outubro de 2003, no primeiro ano do governo Lula, para retirar parte da população brasileira da pobreza. O Editorial J reuniu dados sobre ocupação, escolaridade, mortalidade infantil e os valores gastos pelo programa para fazer uma análise do seu impacto e funcionamento.

Os valores utilizados foram os investidos pelo governo no Bolsa-Família entre os anos de 2004 e 2012. Os dados de 2013 estavam disponíveis, mas foram descartados pelo ano ainda não ter terminado. Entre as datas analisadas, o Rio Grande do Sul recebeu em média apenas 3,56% do valor total investido na país. O ano em que o Estado arrecadou a maior porcentagem do valor total foi 2005, quando ganhou R$ 27.980.0787,00, o equivalente a 4,07% dos quase sete bilhões investidos no ano. O menor porcentual veio em 2012, quando obteve R$ 657.067.542,00, fechando em 3,23% dos R$ 20.288.877.787,33 gastos. De 2000 a 2010, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Rio Grande do Sul pulou de 0,664 para 0,746.

O gráfico abaixo compara a variação percentual entre o valor que o Rio Grande do Sul recebeu do Bolsa Família e a taxa de ocupação na Região Metropolitana de Porto Alegre, segundo dados do IBGE. A partir de 2008, os números passam a seguir caminhos inversos. Um crescimento expressivo no valor ganho pelo Estado coincidiu com uma diminuição na variação percentual da taxa de ocupação na Capital em 2008 e 2010. Em 2009 e 2011, um crescimento menor na quantia do Bolsa-Família coincidiu com aumento na taxa de ocupação.

O mesmo fenômeno pode ser observados nos dados de São Paulo, entre 2008 e 2011.

Na Bahia, estado que recebeu a maior quantia do programa, o oposto aconteceu. O crescimento no valor recebido pelo Bolsa-Família é sempre acompanhado por um aumento na taxa de ocupação.

O gráfico abaixo compara a variação percentual do total gasto com o Bolsa-Família no país com a variação da taxa de mortalidade infantil. Não é possível ver influência a cada ano, embora desde o início do programa a mortalidade infantil manteve um declínio expressivo.

Podemos ver a influência do Bolsa-Família no número de matrículas. Desde o início do programa o número de crianças matriculadas se manteve em crescimento, enquanto o de pessoas acima dos 18 anos decaiu.