Boulos discursa contra a Reforma da Previdência em Porto Alegre

Líder político participou de evento com militantes do PSOL e PCB na PUCRS

  • Por: Leonardo Sonda (3º semestre) e Luisa de Oliveira (3º semestre) | Foto: Marília Guilhermano (4º semestre) | 24/03/2019 | 0

Rodando o país para organizar um movimento contrário à Reforma da Previdência, o ativista político Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) esteve em Porto Alegre na última semana. Na tarde de quinta-feira (21), Boulos participou de um evento organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da PUCRS.

Além de criticar a reforma, o ativista atacou também as políticas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e promoveu uma discussão sobre o futuro do país. Acompanhado por assessores, Boulos chegou à universidade atrasado, mas foi recepcionado por alguns militantes. Em seguida, por volta das 16h20min, chegou ao prédio 9 da PUCRS, sob muitos aplausos e ao som de instrumentos de percussão. O evento também teve a participação do professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Mauro Iasi, militante do PCB, e da professora municipal Martina Gomes, militante do PSOL.

O evento

Iniciando a mesa-redonda, Aisi pediu um certo tipo de união entre os partidos de esquerda e criticou a Reforma da Previdência. “A previdência pública tem que ser um direito dos trabalhadores e não uma forma dos banqueiros ganharem dinheiro. As classes dominantes não pensam muito em como melhorar o país”, afirmou.

Após a fala de Iasi, Martina Gomes criticou o projeto “Escola sem partido”. “Falar de igualdade de direitos entre homens e mulheres não é papel da escola, pensa o atual governo”, disse a professora, que também comparou as ações do novo governo à ditadura militar. “Se na década de 70 eles tinham que infiltrar agentes de estado nas escolas, agora não precisam mais. Porque os próprios estudantes tem que filmar”, concluiu.

“Existem provas de sobra que o Temer é um bandido”, definiu Boulos ao iniciar sua manifestação com o assunto do dia: a prisão do ex-presidente da República Michel Temer. O líder do MTST também disse acreditar que a prisão não deve tirar o foco da gestão de Bolsonaro até o momento, classificando-a como um “desgoverno”. Boulos comentou sobre as investigações contra Flávio Bolsonaro e as denúncias de irregularidades no PSL. “Não precisou de 70 dias para a tal da nova política se afogar num laranjal de práticas da velha política brasileira”, disse. O ativista ainda criticou as investigações do caso da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, e de seu motorista, Anderson Gomes, assassinados em 14 de março de 2018. “Se eu fosse vizinho do cara que esfaqueou ele, já estaria preso”, afirmou.

Logo depois, Boulos criticou a Reforma da Previdência. “Querem tornar a aposentadoria uma mercadoria. Quem tem pra pagar leva, quem não tem, que se contente com 400 reais”, disse. Em tom esperançoso, encerrou sua fala falando citando novamente Marielle. “Por Marielle não temos direito de desistir. Pelos mortos na Ditadura, não temos direito de desistir”, concluiu.