Carnaval de 2017 na Capital será em março

As entidades carnavalescas buscam alternativas para o carnaval do ano que vem, como a mudança da data para o mês de março

  • Por: Sofia Lungui (2º sem.) | 28/11/2016 | 0
Foto: Ricardo Giusti/PMPA
Foto: Ricardo Giusti/PMPA

Embora tenha apertado a crise econômica que vem abatendo o país, principalmente o estado do Rio Grande do Sul, as entidades carnavalescas não se abalaram: estão se adaptando ao cenário da maneira como podem, assim como as escolas de samba. Joaquim Lucena, coordenador das manifestações populares na prefeitura, acredita que o carnaval não depende tanto de questões financeiras, mas sim de criatividade. “Há um recesso em todo o país, e o carnaval de Porto Alegre não é uma exceção. Dentro da conjuntura atual do país, todo mundo tem que ter criatividade. Quem não souber criar, quem não for artista, não se adapta ao momento”, argumentou.

A principal novidade do próximo carnaval portoalegrense é a mudança de data. Antes, a festa estava programada para o final de fevereiro. A data foi mudada, porém, para os dias 10 e 11 de março, por conta da baixa assistência ao carnaval da Capital nos últimos anos, segundo a Liga Independente das Escolas de Samba de Porto Alegre (LIESPA). “A crise dificulta os repasses para as escolas e o andamento do processo, mas apesar das dificuldades, nós estamos otimistas e trabalhando com empenho para que aconteça o melhor carnaval possível”, afirmou Juarez Gutierres de Souza, presidente da Liga. “A dificuldade financeira sempre esteve presente”, disse.

As escolas de samba, que dependem de recursos da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre (SMC), estão também recorrendo às suas próprias fontes de renda. Os repasses são feitos de acordo com a classificação e com o grupo em que atua a escola de samba. A Sociedade Recreativa Beneficente Imperadores do Samba, de grande porte, tem um cenário positivo. Conforme o presidente da escola de samba, Rodrigo Costa, a preparação para o carnaval está sendo da mesma forma como é todos os anos, sem maiores empecilhos. “Por enquanto está tudo acontecendo como o planejado. Porém, é daqui para frente que as coisas vão comecar a acontecer, as verbas serão liberadas e os convênios assinados. Eu acredito que terá algum problema, sim, talvez seja mais modesto, mas é só uma possibilidade”, informou.

Outras escolas consideram o valor insuficiente, como é o caso da Associação Comunitária Copacabana. “A série da Copacabana é prata. Para eu colocar a Copacabana na rua, preciso de ao menos 200 mil, mas recebemos somente 40 mil da Prefeitura. Isso não é condizente com a nossa realidade”, relatou o diretor da escola, Emerson Waner. Mesmo assim, a Copacabana está com os trabalhos adiantados, conforme Waner. “Já passamos pela escolha do tema enredo, do desenvolvimento dele, da definição do organograma de time, dos figurinos. Estamos na etapa da produção das alegorias”, explicou.

A Cadeia Produtiva do Carnaval (CPC), outra forma de otimizar a produção do carnaval, está em fase inicial. A CPC foi criada em 2013 como um convênio entre o Ministério da Cultura e a Prefeitura de Porto Alegre, para desenvolver o carnaval na cidade, realizando, por exemplo, oficinas para costureiras, marceneiros, entre outros profissionais. De acordo com Joaquim Lucena, a fase de licitação foi superada, mas os materiais necessários ainda estão sendo entregues para as escolas. “Estamos fazendo uma averiguação, para sabermos onde erramos no carnaval passado. Todos os repasses serão feitos no começo do ano que vem, por conta da mudança de data. Mas ainda estamos em fase de planejamento, de contratação dos engenheiros, e estamos vendo as questões de higiene e de segurança”, contou.