Carris dá oportunidade a detentos com bom comportamento

  • Por: Luis Felipe Amorim(2º Semestre) | Foto: Mariana Capra(3º semestre) | 24/04/2015 | 0

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Uma iniciativa da Carris possibilita que apenados ganhem uma chance de se reintegrar na sociedade ao ganharem uma oportunidade de voltar ao mercado de trabalho. Atualmente, 48 trabalham na maior empresa de transporte público de Porto Alegre. A intenção da companhia é ressocializá-los. Neste grupo há dois tipos de apenados: os do semiaberto, que dormem na casa prisional, e os que usam tornozeleira eletrônica e cumprem pena em casa, porém são regidos por horários pré-estabelecidos.

Segundo o coordenador do Departamento de Manutenção Predial da Carris, Alex Santos Machado, a companhia dá a oportunidade para eles se reiniciarem na vida. “Muitos aqui foram indicados para trabalhar em outras empresas depois do término da pena”, conta Machado.

Os detentos que trabalham na Carris cumprem uma carga horária de 44 horas por semana, ganham um salário mínimo regional por mês e, para cada três dias de trabalho, reduzem um dia da pena.

“Estou na rua e não no semiaberto, isso pra mim já muda bastante coisa, além de estar trabalhando e ter uma renda e poder ajudar a família”, comenta um dos beneficiados*, que cumpre uma pena de cinco anos. “Isso me motiva muito”, completa.

O convênio entre a Carris e a Susepe está operando desde agosto de 2001. Os presos do semiaberto têm uma rotina simples, que é da casa prisional até a empresa e vice versa. Já os que estão em prisão domiciliar contam com uma hora para ir de sua residência até o trabalho e o mesmo tempo para o retorno. Além disso, podem circular em finais de semana livres até as dez horas da noite. Os beneficiados pelo convênio prestam serviços gerais dentro da empresa, tais como limpeza do pátio, limpeza dos veículos, manutenção predial, chapeação, entre outros.

A seleção dos indivíduos começa nas próprias casas prisionais, com psicólogos e assistentes sociais, por quem eles são acompanhados e avaliados. Passando pela primeira etapa, eles se dirigem até a Carris, onde outros quesitos são observados: disciplina, engajamento em alguma atividade dentro da casa prisional e interesse na reabilitação.

“O serviço deles dentro da companhia é essencial e muito bem feito”, afirma o responsável pela supervisão dos presos na Carris. “Tem um que é pai de família. Quando ele entrou aqui, ele era meio rebelde, mas hoje ele só pensa no filho dele, hoje se tu falar em crime ele fica louco”, relata Machado.

* Os apenados preferiram não se identificar para a reportagem, para evitar discriminação contra eles mesmos ou suas famílias.