Cartazes de “moradores armados” são espalhados na Cidade Baixa

Mensagens seriam resposta à violência que assola o bairro

  • Por: Eduardo Lesina (2º semestre) | Foto: Wellinton de Almeida (4° semestre) | 10/05/2017 | 0
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Cartazes compõem o visual da avenida Desembargador André da Rocha.

As proximidades da avenida Desembargador André da Rocha, na capital gaúcha,  foram marcadas com cartazes de dizeres agressivos: “Aviso! Rua com moradores armados prontos para atirar em bandidos”. Vinte cópias deles estão espalhadas na própria avenida e no seu entorno: na Travessa do Tuyuty e na esquina com a rua General Lima e Silva. A autoria da ação permanece desconhecida até mesmo dos comerciantes do local.

O site Onde Fui Roubado, que monitora casos de violência nas grandes cidades, classifica a avenida alvo das mensagens como a quarta com maior incidência de furtos e assaltos em Porto Alegre, mesmo o site não informando o número de ocorrências. Ele ainda classifica o Centro Histórico e a Cidade Baixa – bairros que contornam a avenida – como o primeiro e o terceiro, respectivamente, em número de denúncias. Além disso, afirmam que 57% dos registros do site resultam em boletins de ocorrência.

Esses dados não são novidade para quem mora ou trabalha na região. “O entorno da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) tem muita circulação de gente e acaba tendo muito assalto”, explica Luis Carlos Treviso, dono de um armazém na região. “Temos sempre alguém de olho lá na frente porque já fomos assaltados muitas vezes.” Os horários de funcionamento do armazém foram reduzidos por causa dos constantes assaltos e falta de policiamento no local. “Depois do último assalto, a presença da polícia se tornou mais frequente, mas ainda vivemos com medo”, lamenta o proprietário do Armazém Treviso.

Os comerciantes  desconhecem os responsáveis pelos cartazes, mas afirmam que o local concentra roubos e assaltos por ser uma  “rota de fuga” para o Centro. “Aqui é frequente os casos de assalto. A polícia vem para registrar a ocorrência, mas aí já é tarde”, diz uma funcionária de uma lavanderia ao lado da praça Marquesa de Sevigné, na rua Lima e Silva. “Depois que eles saem para o centro é muito difícil de encontrar”, explica.