Cássio Trogildo atribui eleição às obras realizadas

Cássio Trogildo imagina conhecer a origem dos 9541 votos que o elegeram vereador pelo PTB. À frente da Secretaria Municipal de Obras e Viação (SMOV) de 2010 a 2012, quando deixou o cargo para concorrer, Trogildo aponta projetos de iluminação, pavimentação comunitária e obras de infraestrutura relacionadas à Copa do Mundo de 2014, todos utilizados em sua campanha, como responsáveis pelo seu sucesso nas urnas. Negando ter asfaltado ruas do bairro Rubem Berta em troca de votos, ele espera dar sequência na Câmara ao seu trabalho de “diálogo com as comunidades”.

Acompanhado por sua assessora de imprensa, Trogildo inicia a entrevista um tanto lacônico. Sobre seu início na política, resume em poucas palavras: “Comecei no movimento estudantil, na época da campanha Diretas Já. A partir daí, a política nunca deixou de fazer parte da minha vida”, conta. Sua filiação ao PTB, onde fundou o movimento Juventude Trabalhista da Capital, ocorreu após um convite para atuar na campanha das eleições municipais de 1996. “Me desvinculei do partido em que militava anteriormente, o PMDB. Não houve nenhum motivo especial, apenas os deixei e ingressei no PTB”, garante.

Cássio Trogildo, avenida beira-rio Foto: Guilherme Testa
Trogildo se candidatou atendendo à convite de seu partido
Do PTB surge um novo convite: candidatar-se a vereador, algo que era “natural” após uma passagem de dois anos pela SMOV. “A candidatura acabou sendo algo previsível, mas nunca foi uma ambição pessoal. O partido e alguns setores da sociedade solicitaram que eu pusesse meu nome à disposição”, revela. Após aceitar a proposta, Trogildo diz ter vivido uma “situação ímpar” durante a campanha: “Ser candidato é muito diferente daquilo que fazia como secretário. Na busca por votos pude perceber o carinho das pessoas, tendo inclusive entrado em suas casas”.

Na secretaria, o petebista coloca como maiores feitos de sua gestão as obras de infraestrutura voltadas para a Copa do Mundo e a qualificação da iluminação pública, algo pouco valorizado. “As pessoas não notam quando os postes estão funcionando bem, apenas comentam no momento em que tudo está escuro”, lamenta. Mas a menina dos olhos do ex-secretário parece ser a pavimentação comunitária, resultado das demandas do Orçamento Participativo (OP) e capaz de, nas palavras do otimista Trogildo, “mudar a vida das pessoas”. “Quando chega o asfalto, as pessoas deixam de enfrentar o barro no inverno e o pó da terra no verão”, ilustra.

A pavimentação comunitária de que o vereador eleito tem tanto orgulho, no entanto, esteve presente nos jornais recentemente não sob a ótica de “reconhecimento da cidade”, mas de suspeitas de uso da máquina pública. Nos últimos dias de campanha eleitoral, a coligação Juntos por Porto Alegre (PCdoB, PSD, PSB, PSC e PHS) denunciou um caso em que, supostamente, Cássio Trogildo e José Fortunati, ambos ainda na condição de candidatos, teriam se beneficiado de seus cargos na luta pelo voto.

A polêmica teve início com o envio, por parte de uma moradora do bairro Rubem Berta, de uma gravação de mais de 40 minutos de uma suposta reunião do OP em que conselheiros do mecanismo de participação popular e assessores da prefeitura prometiam o encaminhamento de obras de pavimentação na região e pediam votos para o ex-secretário da SMOV e para o prefeito reeleito.

Trogildo alega que a obra já havia sido demandada pelo OP e não seria possível interromper o trabalho da prefeitura por conta das eleições. “Veja bem, não podemos parar serviços por se tratar de um momento eleitoral. Isso tudo ocorreu independente de minha candidatura”, garante, negando qualquer vínculo com o caso.

Procurando esclarecer o ocorrido, Trogildo analisa de outra forma o conteúdo das gravações. “Não era uma reunião do OP, era uma atividade regular realizada por um comerciante do Rubem Berta que apoiou a minha candidatura. Nessa ocasião, quando as pessoas assistiam ao jogo do Grêmio, ele e outros dois cabos eleitorais pediram votos para mim, como já era de se esperar”, relata.

Antônio Olímpio Guimarães Filho, mais conhecido como Toninho, chefe da assessoria comunitária da SMOV, que também estaria na reunião, afirmou ao portal de notícias Sul 21 que Cássio Trogildo “atende a todos que vem procurar”. O novo integrante do legislativo municipal rebateu rapidamente. “Isso não procede. Na realidade, a legislação não proíbe a prestação de contas, que foi o alicerce de minha campanha. Nada além disso”, sentencia. “Até o momento, só sei desse assunto pela imprensa, não recebi nenhuma notificação ou chamada para depoimento”, completa.

cássio trogildo obras foto: Guilherme Testa
Vereador eleito nega uso da máquina pública em campanha
Afora a polêmica, Trogildo não pensa em projetos grandiosos como vereador. “Não há nada específico. O objetivo é cumprir o papel de vereador, debater as leis orçamentárias e fiscalizar o poder executivo”, afirma. O ex-secretário, que na Câmara de Vereadores estará ao lado do atual governo municipal, apresenta dificuldades para dizer qual seria o maior problema da cidade. Após alguns segundos de hesitação, finalmente responde. “Ainda temos como um problema a mobilidade urbana. O governo Fortunati está no caminho certo, com grandes obras de infraestrutura e com o metrô, mas melhorias são necessárias”, aponta.

O pedido de exposição de um projeto hipotético é negado pelo petebista. “Não terei tempo para gastar com utopias. Não lutarei por aquilo que está fora do meu alcance”, enfatiza. Então, o que esperar do futuro vereador Cássio Trogildo? “Diálogo com as comunidades e atenção à discussão das leis orçamentárias”, prometeu.

Texto: Caio Venâncio (2º semestre)
Fotos: Guilherme Testa (4º semestre)