CD e DVD entre raridades

Redondos e com finalidades semelhantes ao disco long play (LP), o CD e o DVD seguem o mesmo caminho do primeiro, se tornar raridade e preferência de alguns aficionados. As festas do final de ano reforçaram a tendência. Quem procurou músicas e imagens captadas em disco prefere materializar as escolhas, pagando para isso.

Com a expansão da internet, a maior parte dos consumidores baixa filmes e músicas por este canal e assim acessa aos conteúdos. Porém aqueles que possuem um maior poder aquisitivo preferem comprar as mídias materializadas porque as livrarias oferecem um diferencial a mais que as lojas de CDs e DVDs convencionais e também pela questão do material gráfico do produto.

Catherine Dorneles, cliente da Livraria Saraiva, disse que ela e o pai baixam os filmes que não conseguem no formato físico e aqueles que não valem a pena consumir na Web. Ela menciona que adquire os produtos porque a internet não oferece os extras dos filmes e musicais e também que o pai como é cinéfilo gosta de colecionar disco material e aproveita bastante os produtos adquiridos.

O turista francês Joel Boudou, que pesquisava na loja FNAC do Barra Shopping, salientou que gosta de comprar os CDs de música brasileira para mostrar e compartilhar com seus conterrâneos. Menciona que não é somente pelo conteúdo que está dentro do disco, mas também pelo material gráfico, pelo que a mercadoria oferece como a letra das músicas, ficha técnica e as imagens que constam no encarte. O francês argumentou também que o artigo impresso serve para os pesquisadores musicais analisar como são feitos as imagens dos produtos e os tipos de instrumentos utilizados, além do que as capas de CDs são uma obra de arte.

Nestas duas lojas que comercializam CDs e DVDs apenas os clientes comentaram suas escolhas. Procurados pelo Editorial J, a direção da Livraria Saraiva, do Shopping Praia de Belas, e da FNAC do Barra Shopping, não quiseram se manifestar sobre a comercialização destes produtos e autorizaram apenas entrevistas com clientes.

O produtor e professor da Famecos Ticiano Paludo ressaltou que, depende do lugar, as pessoas nunca consumiram tantas músicas como agora no sentido de escutar. Porém, a tiragem de discos materiais é muito pequena. Além disso, o mercado da venda de LPs era muito menor dois anos antes. Agora, o professor acredita que está mais aquecido para atender os colecionadores de vinil, pois há uma massa de público que deseja consumir produtos bem acabados e um bom encarte. Outro fator, mencionado por ele, é o serviço como Itunes que funciona bem no mundo todo e que tem um crescimento muito grande enquanto globalmente declinaram as vendas dos discos, objeto físico, nos últimos anos.

Para proprietária da Sala dos Clássicos Eruditos na Galeria Chaves, na Rua dos Andradas no Centro de Porto Alegre, Mirta Prates, o acesso aos discos pela internet afetou as vendas dos CDs, porém persistem os clientes que compram os produtos porque são diferenciados e importados de Nova Iorque e da Europa. Ela reconheceu também que diminui bastante os clientes em relação ao que se vendia antigamente, mas ressaltou que entre os clientes fiéis há jovens que consomem esse tipo de produto, músicas clássicas e eruditas.

Texto e foto: Anselmo Loureiro (4º semestre)