Chapa eleita para o CAAP defende a participação em questões além da vida acadêmica

Com 331 votos contra 193 da oposição, grupo assume o centro acadêmico da Famecos pelos próximos dois anos

  • Por: Nicole Oliveira (2º sem) | Foto: Samir Mohr/divulgação | 23/10/2015 | 0

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A chapa Coragem para Flor e Ser ganhou as eleições do Centro Acadêmico Arlindo Pasqualini (CAAP), da Famecos, resultado revelado ainda na noite do 21 de outubro, último dia da votação. A chapa, que possui integrantes da atual gestão, fez 331 contra 193 da oposição, chapa Mais Ação 2.0. A partir de novembro, os eleitos assumem a gestão. Uma das integrantes da chapa eleita, Mariana Bello, estudante de Jornalismo, que faz parte da coordenadoria de finanças do CAAP, explicou, em entrevista ao Editorial J, as propostas do grupo eleito.

Um centro acadêmico tem a função de representar os estudantes. Entretanto, alguns alunos somente valorizam o espaço físico do CAAP que tem mesas de sinuca e tacos, flaflu  e sofás, esquecendo as propostas acadêmicas, os eventos, palestras e debates promovidos. O que tu pensas sobre isso?
O papel de um centro acadêmico é atender as necessidades dos alunos, alguns veem como uma sala de jogos porque provavelmente não usufruem daquele espaço de outra maneira. Por exemplo, tenho o FIES e se não tivesse bolsa não estaria estudando na PUC, assim como muitos dos meus colegas. Não tenho como pagar R$ 35 por semana para comer no R.U. (Restaurante Universitário), o centro acadêmico precisa ouvir a minha demanda e adaptar o espaço físico para que atenda as minhas necessidades. Só que isso tudo está ligado ao avanço do conservadorismo e à crise política do Brasil que aumenta o descrédito das pessoas na política. Isso se reflete no centro acadêmico que é uma forma de política também.

Diante da crise política brasileira, cresce o desinteresse dos alunos em debater questões sociais. Como tu enxergas a participação política hoje dos jovens?
Percebo que nas universidades privadas as pessoas tendem a achar que não pode ter movimento estudantil porque tu estás pagando para estar naquele espaço, mas acredito na lógica inversa. Justamente por ser ensino pago, tu precisas ter teus direitos assegurados porque a mensalidade da PUC é muito cara e muita gente tem bolsa. Sou FIES, muitos dos meus colegas são ProUni e se não tivéssemos essa oportunidade, não estaríamos aqui. Então, a gente precisa, sim, se unir e mostrar exemplos positivos de coisas que deram certo para que os estudantes queiram se envolver. Se tu não tens exemplo de que a mudança realmente pode acontecer, tu não vai querer se envolver. Mas, justamente por estarmos em uma crise política de representatividade, as pessoas têm aberto mais os olhos.

Devido aos casos de corrupção nas diversas esferas públicas, a população se mostra cética relação a política. Neste cenário, o que te motiva a participar do movimento estudantil?
O que me motiva participar do movimento estudantil é a acreditar que (o movimento) pode gerar mudanças muito positivas e porque preciso lutar pelos meus direitos. Não adianta reclamar depois, se eu não fizer nada para mudar. O fato do meu colega desacreditar na política, não me impede de lutar pelos direitos dele também.

Como a crise econômica atinge um centro acadêmico? Como funciona a parte financeira do CAAP?
A PUC trata o repasse aos centros acadêmicos como uma questão burocrática. Qualquer universidade privada que visa lucro considera ruim o movimento estudantil, então costuma boicotar esse repasse. O CAAP passou um ano sem receber o repasse e não foi por irresponsabilidade da gestão. É muito desgastante ir à Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários todos os dias, pressionando para saber quando vai sair o dinheiro. Então, a saída é a política financeira independente, infelizmente, buscando recursos através de rifa, de bolo. Nas universidades federais, não há repasse e eles fazem o movimento estudantil igual e é essa cultura que a gente quer na PUC, que os centros acadêmicos comecem a adotar isso também, porque mesmo depois de prestar contas como foi o caso do CAAP, eles continuam trancando o repasse. Por exemplo, o CAAP comprou tacos novos de sinuca e levou a nota para a PROEX, prestando conta e assim ter o  repasse liberado, mas eles pedem para levar a nota várias vezes, fazendo vários questionamentos. Todos os centros acadêmicos da PUC passam por essa “crise”..

Qual a importância de um centro acadêmico abordar assuntos fora da vida acadêmica, que pertencem à sociedade em geral?
Nenhuma faculdade, nenhum centro acadêmico é uma ilha. Na Famecos, a gente estuda comunicação social, então, é papel do centro acadêmico trazer questões sociais como machismo, racismo, LGBTfobia que estão impregnados na sociedade porque isso vai refletir na mídia, em como as pessoas vão fazer comunicação. O centro acadêmico tem que pautar as questões sociais porque a faculdade não esta fora da realidade.

De que maneira o centro acadêmico pode contribuir para a formação pessoal dos estudantes da Famecos?
O centro acadêmico agrega muito à formação pessoal de todo mundo, não só dos estudantes daquela faculdade porque critica não só o modelo de educação apresentado aos alunos, mas faz links com assuntos da sociedade que afetam a realidade daquele curso, daquela faculdade. A gente precisa criticar, questionar os modelos de comunicação, o currículo. As pessoas precisam ter mais senso crítico e o centro acadêmico tem que pautar isso.

 

Propostas da Campanha da Chapa Coragem para Flor e Ser

  • Reestruturação do CAAP com espaço de “minicozinha”, com geladeira, microondas, torradeira, pratos e talheres;

  • Melhorias na estante dos materiais e textos no Moodle;

  • Campanha ambiental com copos sustentáveis do CAAP;

  • Redução das multas nos atrasos de equipamentos retirados nos Meios Auxiliares para alunos ProUni, FIES e bolsistas;

  • Política financeira independente, promovida através de rifas, brechós, venda de alimentos e confraternizações;

  • Tornar a Semana Acadêmica uma tradição na Famecos;

  • Cinedebates e atividades que pautem democratização dos meios, comunicação popular, descriminização das drogas e outros temas;

  • Participação ativa nos Encontros Nacionais de Estudantes de Comunicação (Enecom) e nos debates da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecos);

  • Rodas de conversas sobre opressões (machismo, racismo, e LGBTfobia);

  • Campeonatos de esportes com modalidades femininas e masculinas;

  • Reuniões abertas da gestão periodicamente;

  • Dia cultural no CAAP com shows, saraus, e briques;

  • Parcerias com alunos de RP na organização dos eventos do C.A.;

  • Jornal do CAAP com matérias e fotos feitas por estudantes da Famecos, através de concursos.