Clima de provocação marca o último debate entre candidatos a governador no Rio Grande do Sul

No último debate para governador do estado do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT) e José Ivo Sartori (PMDB) se encontraram no estúdio da RBSTV, em Porto Alegre. Mediado pelo jornalista Túlio Milman, o debate foi dividido em três blocos. No primeiro, os candidatos podiam fazer perguntas de tema livre. Já no segundo, os temas foram determinados por sorteio: controle da corrupção, segurança, custo da folha de pagamento e dívida do estado. O terceiro bloco foi reservado para as considerações finais.

Corte de despesas foi um dos assuntos mais comentados do primeiro bloco. Tarso perguntou e questionou seguidamente os projetos e as propostas de Sartori. Em certo momento, parecendo cansado de falar sobre o tema, Sartori disse “Vou ter que começar a contar essa história de novo…” e os assessores e políticos soltaram algumas risadas na sala reservada.

A política dos partidos, focando no modo de governar e criticas a escândalos, movimentou os candidatos e provocou momentos de tensão na plateia. “Sartori tem a visão do PMDB, que corta os recursos”, comentou Tarso, acrescentando que não apresentar propostas é uma característica do partido para que a população nunca saiba como eles irão governar. Sartori rebateu perguntando: “Onde foi parar o dinheiro do saque dos depósitos judiciais?”, ao que Tarso Genro respondeu alegando que, se o seu oponente procurasse os dados, encontraria, pois estes são públicos.

O candidato do PMDB atacou Genro com a pergunta “Como você se sente vendo seus parceiros de partido serem acusados e condenados por desviar dinheiro público?”. Tarso rebateu dizendo que deveria se sentir da mesma maneira que ele, ao ver políticos do PMDB acusados e condenados, e alegou ter uma formação ética. O candidato do PT contra-atacou: “As notícias de corrupção do Rio Grande do Sul são do Governo passado.” O silêncio mostrava que a maioria das pessoas estava atenta às respostas, enquanto alguns murmúrios de assessores podiam ser ouvidos.

No segundo bloco, pôde-se notar uma reação mais exacerbada de alguns convidados. A deputada estadual eleita Manuela D’Avila vibrou quando foi sorteado o tema “Controle da corrupção”. Ela assistia ao debate e respondia a seguidores no Twitter, chegando até a discutir com um assessor de outro partido pela rede social. No tweet, ela escreveu “@gutorech assessor da prefeitura e nao lê noticias? PMDB apoiou renegociação q está no Senado para ser votado. Bom trabalho!”, em tom irônico. Ainda sobre a renegociação, no púlpito Tarso procurou assinar a obra: “Aconteceu porque teve um governador que foi atrás e para cima da divida”. A sua candidata a vice, Abgail Pereira, na sala ao lado, murmurou “Toma, bem feito!”, batendo o pé no chão.

Em relação à saúde, Tarso disse que não entendia como Sartori podia apoiar um candidato que pretende acabar com o programa Mais Médicos, referindo-se a Aécio Neves. “Fazer pouco dos outros não é um bom caminho”, respondeu Sartori. “Eu represento aqui a Presidente Dilma e o Presidente Lula”, justificou Tarso. Durante a troca de acusações, repórteres dos mais diversos veículos, como Folha de São Paulo e Revista Veja, faziam anotações constantemente.

Os candidatos também abordaram brevemente a polêmica do piso dos professores, que ganhou mais destaque pelos comentários de Sartori, que mandou os educadores buscarem o mesmo no Tumelero. “Arrogância e desprezo” foram as palavras que Tarso usou para descrever a atitude de Sartori. O candidato peemedebista convidou os espectadores a procurarem saber quanto recebem os professores de Caxias do Sul: “Lá, eles ganham duas vezes mais que o piso. Essa é a minha consideração com os professores. Diferente de você, que propôs a lei e quando virou governador não cumpriu.” Sartori aproveitou para provocar Tarso, lembrando que ele disse, em 2010, que não se candidataria novamente, se não tivesse conseguido resolver a dívida pública.

Sartori terminou afirmando que Tarso não consegue resolver seus problemas e os atira para o colo dos outros. Em contrapartida Genro falou que um possível governo do oponente seria um “salto no escuro” porque ninguém sabe o que ele fará. Logo após as considerações finais e dos gritos de incentivo dos assessores de Sartori, com a frase “vote 15, vote Sartori”, os convidados se dirigiram ao estúdio do debate, onde os candidatos esperavam os jornalistas para responder algumas questões.

Confira abaixo as declarações de Tarso Genro e de José Ivo Sartori aos repórteres do Editorial J.

Entrevista com o governador Tarso Genro by Editorialj on Mixcloud

Entrevista com o candidato José Ivo Sartori by Editorialj on Mixcloud

Texto: Jéssica Moraes (4º semestre) e Yasmin Luz (4º semestre)

Áudios: Jéssica Moraes (4º semestre), João Pedro Arroque Lopes (5º semestre) e Yasmin Luz (4º semestre)