Clube de Cultura reage às medidas do governo estadual

Por meio da música, poesia, literatura e jornalismo, público debate efeitos do Pacotão de Sartori

  • Por: Alícia Porto (5º sem.) e Sofia Lungui (2º sem.) | Foto: Alícia Porto (5º sem.) | 20/01/2017 | 0
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O Clube de Cultura foi palco do evento

As medidas anunciadas pelo governo do Estado para enfrentar a crise fizeram os frequentadores do Clube de Cultura de Porto Alegre a se reencontrar neste palco do movimento de resistência. O encontro de diversos artistas da capital gaúcha foi na quarta-feira (11), quando profissionais das artes e defensores da cultura se reuniram para manifestar sua discordância com as políticas do Governo Sartori que colocam em risco a cultura, a pesquisa e educação no estado, especialmente contra a decisão de extinção de nove fundações estaduais.

O evento iniciou às 17 horas com uma oficina coordenada pela professora e artista Laura Castilhos, seguida por um sarau de poesia às 19 horas. Por volta das 19h30min, uma mesa-redonda “Cultura para quê?” contou com as presenças do jornalista Moisés Mendes e do professor de literatura e escritor Luís Augusto Fischer, que debateram com os presentes. Para o encerramento do evento, o cantor Dudu Sperb e o violonista Toneco da Costa apresentaram o pocket show Música de Protesto.

As manifestações durante o encontro exalavam desapontamento e revolta. Para todos, as medidas adotadas pelo governador mostram o descaso pela produção cultural e pelas pesquisas realizadas pelas diversas instituições afetadas. “Estamos vivos por conta de uma liminar. O governo não pensou nos trabalhadores”, afirmou ex-funcionário e representante da Fundação de Economia e Estatística (FEE), referindo-se à ação requerida pelo Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisa e de Fundações Estaduais do RS (Semapi). A liminar impede demissões de funcionários da fundação sem acordo prévio.

Luís Augusto Fischer criticou as medidas tomadas pelo governo, afirmando que há uma ideologia por trás destas. “O governo faz isso com uma concepção fundamental, que é diminuir as despesas da folha de pagamento como um dogma”, explicou em entrevista exclusiva. “Passam a ideia de diminuir o tamanho do Estado. O Estado fica focado só naquilo que é essencial; essencial que, na verdade, nunca fizemos no Brasil”, argumentou o professor.

Foto Sofia Mesa
Moisés Mendes e Luís Augusto Fischer opinam sobre pacote de Sartori

O ex-jornalista da Zero Hora, que atualmente trabalha em projeto independente, Moisés Mendes revelou que ficou surpreso com a decisão de extinguir as fundações. “Não se esperava essa agregação de pessoas a favor de um projeto que destrói grande parte da cultura gaúcha, foi algo inédito”, disse. Em entrevista, Moisés Mendes afirmou que grande parte das pessoas tem a crença equivocada de que os jornalistas defendem a manutenção da Fundação Piratini para preservar o emprego dos colegas. “Não é isso, temos que preservar um serviço público e, ao mesmo tempo, o trabalho das pessoas que estão envolvidas nesse projeto. Temos que ter produção alternativa de conteúdo, que é o que a TVE e a FM Cultura fazem”, analisou.

Por fim, o jornalista traçou um paralelo do governo do RS com os governos federal e municipal na Capital, defendendo que nas três dimensões há um ponto em comum. “Em todo os setores, há uma preocupação com a destruição de estruturas de Estado que prestam serviços públicos. Isso deve abrir a possibilidade de maior aproveitamento, pelo setor privado, de estruturas que eram antes do Estado”, opinou Mendes.