Aedes aegypti (CDC-EUA/DIvulgação)

Combate à dengue deve ser mantido mesmo no inverno

Frio abaixo de 10º prejudica mosquitos, mas ovos podem durar até 500 dias no ambiente.

  • Por: Camila Lübeck (6º semestre) | Foto: CDC/EUA (Divulgação) | 06/05/2015 | 0

Aedes aegypti (CDC-EUA/DIvulgação)

Porto Alegre contabiliza 38 casos confirmados de dengue em 2015, sendo sete autóctones, contraídos dentro da cidade, e 31 importados. O número é superior ao registrado em 2014, quando foram confirmados 23 casos na capital gaúcha. De acordo com a Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde (CGVS), o período de final de abril até a segunda quinzena de maio é considerado de alto risco para transmissão da doença, tanto pela presença dos mosquitos Aedes aegypti quanto pelas condições climáticas do outono.

As estações chuvosas são ideais para o desenvolvimento do mosquito, o que não significa que, com as quedas de temperatura, a população deve se descuidar no combate à doença. A estimativa da Vigilância em Saúde é que a população adulta dosAedes aegypti diminua somente com a chegada do frio, com temperaturas inferiores a 10ºC. A bióloga da CGVS e integrante da equipe técnica de controle operacional da dengue, Maria Elaine Esmério, ressalta que o monitoramento deve ser mantido mesmo no inverno, já que os ovos do mosquito podem durar aproximadamente 500 dias em ambientes dessecados. “A população deve colocar na sua rotina a verificação semanal dos locais de risco, como recipientes que possam acumular água, pratos de vasos de plantas, pneus e lixo, para evitar a proliferação de larvas”, recomenda.

De acordo com dados divulgados pela prefeitura de Porto Alegre, foram investigados 254 casos da doença neste ano. Os autóctones foram registrados nos bairros Ipanema, São José, Floresta e Nonoai, sendo o primeiro e os três últimos no bairro Ipanema. Nessas regiões, a Vigilância recomenda o uso de repelentes corporais e elétricos, além do reforço nos cuidados para evitar a proliferação do mosquito transmissor. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os criadouros do inseto em Porto Alegre estão, em 93% dos casos, em residências ou estabelecimentos comerciais, e os pequenos recipientes equivalem a cerca de 80%.

Agentes de endemias seguem aplicando inseticidas nas regiões afetadas e realizando visitas domiciliares para orientar a população sobre os cuidados para o controle do mosquito. De acordo com Maria Elaine, existe uma boa receptividade por parte dos moradores tanto em receber os agentes, abrindo suas residências, quanto na escuta de orientações prestadas. “Porém as pessoas parecem não acreditar na possibilidade de que tenhamos dengue em nossa cidade e muito menos uma epidemia”, destaca Esmério. Para desfazer este equívoco, são realizadas ações de educação em saúde para que as pessoas entendam a importância do reforço na prevenção.

Profissionais de saúde estão atentos a sintomas compatíveis com a dengue — como febre alta acompanhada de mais dois outros sinais: dor de cabeça, dor no fundo dos olhos, dores musculares e nas articulações e dores abdominais. “A pessoa que apresentar os sintomas deve procurar imediatamente o serviço médico, que irá notificar o caso da doença em seu bairro já na suspeita”, explica a bióloga. Esta ação desencadeará em ações ambientais para bloquear a doença, e o conjunto destas medidas poderá evitar a disseminação viral e a ocorrência de um surto epidêmico.