Combate à sífilis e à tuberculose é foco em Porto Alegre

Capital apresenta altos índices das doenças, e prefeitura lança campanhas e ações junto à população e profissionais da saúde

  • Por: Nícolas Wagner (3º semestre) | Foto: Divulgação/PMPA / Cesar Lopes | 21/06/2018 | 0

Os casos de sífilis e tuberculose são uma preocupação constante em Porto Alegre. Em relação a 2016, o número de ocorrências de sífilis adquirida subiu de 93,7 para 120 a cada 100 mil habitantes no ano passado. Quanto à tuberculose, a média foi de 81,7 casos a cada 100 mil habitantes, o que coloca o município como a 4ª capital com maior índice de tuberculose no Brasil. Tendo esses números em vista, a prefeitura, através da Secretaria Municipal da Saúde, preparou novas campanhas de conscientização e serviços.

SÍFILIS

Doença transmitida através de relações sexuais sem camisinha, compartilhamento de agulhas e seringas ou da mãe infectada para o bebê, a sífilis possui altos índices em Porto Alegre: de acordo com o último relatório divulgado pelo Ministério da Saúde, é a 5ª capital do Brasil com maior média de detecção de Sífilis adquirida. O crescimento também se repete na na sífilis congênita: conforme apontam dados da Secretaria Municipal da Saúde, a capital gaúcha subiu de 107 casos em 2007 para uma média de mais de 500 casos anuais, chegando a 596 em 2017.

André Silva, professor da PUCRS especialista em Medicina de Família e Comunidade, aponta a diminuição do cuidado durante as relações sexuais como principal motivo desse aumento: “muitas pessoas usavam o preservativo com medo da AIDS. Com os tratamentos mais novos para o HIV, os pacientes não estão mais morrendo e têm uma qualidade de vida boa. Assim, as pessoas relaxaram no uso da proteção”. Silva também destaca a falta de penicilina, o abandono do tratamento e falta de diagnóstico dos parceiros como influência para a elevação do número de casos de sífilis.

Esse crescimento ocorre mesmo com a oferta de testes rápidos gratuitos nos postos de saúde, onde, sendo diagnosticado, é possível iniciar o tratamento logo em seguida. Além das 140 unidades básicas de saúde em Porto Alegre, a Secretaria Municipal da Saúde também têm investido no “Fique Sabendo”, um ônibus com dois consultórios que leva testes de sífilis e HIV a diferentes pontos da cidade. Adriane Friedrich, assessora técnica da área de Infecções Sexualmente Transmissíveis/Aids e Hepatites Virais da SMS, destaca a mudança no nome do ônibus, que até fevereiro deste ano se chamava “Fique Sabendo Jovem”: “A ideia era justamente alertar pessoas de todas idades para fazerem o teste” explica Friedrich. Segundo ela, o “Fique Sabendo” tem apresentado boa adesão, mas o fato de possuir somente dois consultórios restringe um pouco o impacto da ação. Porém, eventos maiores também são organizados. Nos dias 12 e 13 deste mês, por exemplo, foram montados seis espaços para a realização de exames gratuitos de doenças sexualmente transmissíveis no Largo Glênio Peres. Segundo Friedrich, nessas datas foram realizados testes em mais de mil pessoas.

TUBERCULOSE

Porto Alegre também sofre bastante com a tuberculose, possuindo normalmente um dos maiores índices de contaminação entre as capitais do país — atualmente é 4º, mas já ocupou a liderança. De acordo com Eveline Rodrigues, da área de Infecções Sexualmente Transmissíveis e Tuberculose da SMS de Porto Alegre, uma das justificativas é o fato de o povo gaúcho, por razões climáticas e pelo alto consumo de tabaco, espirrar muito, o que facilita o contágio.

Causada pelo bacilo de Koch, a tuberculose é mais suscetível a pessoas em condições sociais vulneráveis, como moradores de rua e pessoas de baixa escolaridade, em especial homens em idade produtiva. Um dos principais desafios para conter o alto índice de pessoas contaminadas é a grande taxa de abandono do tratamento. Conforme explica Rodrigues, “após 15 dias de tratamento há uma melhora significativa, o que faz o paciente acreditar que está bem. Mas o tratamento em média deve durar 6 meses”.

Quanto às iniciativas que vêm sendo realizadas pela prefeitura, Rodrigues enfatiza a importância das campanhas publicitárias nas grandes mídias, de modo a combater a negligência que as pessoas têm acerca da tuberculose. Para facilitar a adesão, a prefeitura tem disponibilizado vale transporte e vale lanche aos pacientes. Outra novidade da atual campanha é o telemonitoramento: “cadastramos o número de telefone dos médicos e dos pacientes para facilitar eventuais trocas de unidade”, conta Rodrigues.