Comerciantes contestam ciclovia da José de Alencar

Via para ciclistas, implantada em agosto, gera transtornos ao comércio local, que prepara ação judicial contra a Prefeitura

  • Por: Italo Bertão Filho (2º sem.) | Foto: Wellinton Almeida (3º sem.) | 18/11/2016 | 0
Estabelecimentos são prejudicados pela ciclovia, afirmam comerciantes.
Estabelecimentos são prejudicados pela ciclovia, afirmam comerciantes.

Desde agosto, quem trafega pela avenida José de Alencar, no bairro Menino Deus, convive com uma ciclovia unidirecional de 1,4 km. A faixa liga o Parque Marinha do Brasil à ciclovia da avenida Érico Veríssimo

. Passados três meses após a inauguração, a nova estrutura ainda gera controvérsias entre os comerciantes da região, que estão mobilizados para colher assinaturas no abaixo-assinado a ser encaminhado ao Ministério Público pedindo alterações na ciclovia.

“A ideia [do abaixo-assinado] começou quando vimos que a ciclovia ia prejudicar o comércio e o trânsito”, relata o comerciante Egídio Gheno, um dos principais articuladores do abaixo-assinado contra a ciclovia. “A via não comporta uma ciclovia”. “Nós, sete comerciantes, nos juntamos e colhemos em torno de 700 ou 800 assinaturas, porque em geral as pessoas ficaram indignadas. Agora, constituímos um advogado para entrar com um processo contra a Prefeitura”, explica Gheno.

A ciclovia, junto às calçadas, impede o estacionamento dos carros. O chaveiro Osni Padilha acredita que este seja o principal fator para a diminuição do fluxo de pessoas. “Passa pouco ciclista, coisa de um por hora”, afirma. Segundo Aneri Fabonatto, gerente de um pub da região, o movimento do estabelecimento caiu 40% após a criação da via.

Darlei Piassini não é contra a ciclovia, mas entende que alterações deveriam ser realizadas no projeto. “Do jeito que está, todo mundo sai prejudicado”. Funcionário de um mini-mercado localizado na avenida José de Alencar, Piassini informa que o estabelecimento passou a fechar uma hora mais cedo com a queda no movimento, temendo a insegurança. Piassini também acredita que o atual projeto causa transtornos tanto ao ciclista quanto ao pedestre. “A ciclovia precisa de um asfalto específico, porque o atual volta e meia gera acidentes”, avalia se referindo aos choques que têm acontecido entre ciclistas e pedestres.

O vereador Marcelo Sgarbossa (PT) entende que a polêmica é comum. “As outras ciclovias também tiveram reclamações”, afirma. Atuante em defesa das ciclovias, Sgarbossa sustenta a importância das pistas para para os ciclistas. “A ciclovia é feita para a cidade inteira”. Sgarbossa também desconhece que algum estabelecimento comercial tenha encerrado suas atividades após a implantação das vias em Porto Alegre.

“A proposta que está em implantação foi apresentada em duas reuniões com a comunidade, realizadas no segundo semestre de 2015”, informou a assessoria de imprensa da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) por meio de nota. Segundo a empresa,  “o projeto da ciclovia da José de Alencar prioriza o deslocamento das pessoas. Na sua totalidade, garante preferência aos ciclistas, pedestres e usuários do transporte coletivo, humanizando a via.” Por fim, a EPTC alega que a ciclovia tem sido elogiada tanto por ciclistas quanto por moradores da região.

Porto Alegre possui 44 quilômetros de ciclovias saídas do papel. Quando se comparam os números com os de outras capitais do país, percebe-se que a Capital ainda tem muito a avançar em termos de mobilidade urbana. A previsão para 2016 é que a cidade atinja 50 quilômetros de ciclovias, enquanto Curitiba – capital de tamanho similar à Porto Alegre – alcançou a marca de 190 quilômetros em setembro do ano passado. A implantação massiva das vias começou em 2009, com a instituição do Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre.