Comerciantes de rua comemoram chegada de novo shopping

Inaugurado em 26 de abril, o Shopping Bourbon Wallig, mais novo centro comercial porto-alegrense, parece ter alterado a rotina até mesmo dos comerciantes de rua das proximidades. Situado na Avenida Assis Brasil, uma das grandes vias da Capital, o empreendimento, que ocupa uma área anteriormente abandonada, incrementou o movimento na região. Segundo os comerciantes de rua da vizinhança, que poderiam temer a concorrência do novo shopping, o início das atividades do empreendimento trouxe ganhos e se reflete no aumento das vendas.

O vice-presidente do Sindilojas Porto Alegre, Paulo Kruse, avalia como positiva a instalação de um grande centro comercial na região. “Vai beneficiar toda a Zona Norte, e os municípios de Alvorada, Cachoeirinha e Gravataí.” Responsável pela criação de três mil empregos, o shopping deixou satisfeitos até mesmo aqueles que poderiam perder clientes com a sua chegada. “Os comerciantes de rua reagiram extremamente bem. O retorno que o Sindilojas recebeu, até o momento, é positivo, com aumento das vendas e do fluxo de pessoas, inclusive“, garante Kruse.

Os lojistas da Assis Brasil ouvidos pelo Editorial J não o deixam mentir. “O movimento por aqui aumentou”, reconhece Miguel Zilak, proprietário do restaurante Gringo Lanches, localizado na frente do Bourbon Wallig. Ele diz que o público cresceu por conta dos vendedores do shopping e operários da construção civil, uma vez que o empreendimento ainda não está concluído. “O preço deles (shopping) é maior. Sempre vai sobrar público”, alega Zilak.

Camelô regularizado que trabalha na Assis Brasil há 15 anos, Paulo César Lopes acredita que a clientela se “qualificou”. O número de pessoas e carros em circulação na região aumentou, e “ocorreu uma mudança no perfil do consumidor”. Como camelô, Lopes acredita que as bancas de rua ainda existentes não permanecerão da maneira que estão hoje, pois para o shopping não seria atraente manter o comércio informal por perto. “Vão nos tirar daqui e levar para um camelódromo, ou vão nos dar maior assistência e teremos bancas padronizadas, por exemplo”, prevê.

Gerente da Lojas Ughini, Ronaldo Lago é outro que não se abala com a abertura de um grande empreendimento nas proximidades. “Se fosse por isso, o Iguatemi e o Bourbon Country (centros comerciais próximos à região) já teriam acabado com o comércio da Assis Brasil,” argumenta. Neuza Fleck, gerente da ótica Deconto, que está na região há mais de 40 anos, é uma das poucas que percebeu, nos primeiros dias, uma queda nas vendas, mas pondera que “o sol nasceu para todos, tem cliente para todo mundo. É isso: trabalhando, tem gente para comprar.”

Texto: Caio Venâncio (1º semestre)
Fotos: Eduarda Alcaraz (7º semestre)