Comerciantes do Mercado Público querem custear o PPCI

Os permissionários pretendem arrecadar os recursos para o plano e assim reabrir o segundo andar do prédio

  • Por: Daniela Nunes e Flávia Pereira (1º semestre) | Foto: Felippe Morais (4º semestre) e Valentina Rodrigues (2º semestre) | 14/09/2017 | 0
Adriana Kauer, diretora da Associação do Comércio do Mercado Público (Ascomep) desde maio deste ano.
Adriana Kauer, diretora da Associação do Comércio do Mercado Público (Ascomep) desde maio deste ano.

Prestes a completar 148 anos, em outubro, o Mercado Público de Porto Alegre continua com o segundo andar interditado, desde o incêndio em julho de 2013, devido à falta do Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI). Para resolver o impasse, uma vez que prefeitura alega não ter recursos para financiar o PPCI, os permissionários pretendem arcar com este custo, conforme manifestação feita através de protocolo encaminhado à administração municipal

A Associação do Comércio do Mercado Público (Ascomep), segundo a  diretora Adriana Kauer, manifestou interesse em arrecadar fundos e realizar o projeto, conforme protocolo entregue no dia 5 de maio deste ano. O que falta para que o segundo andar do estabelecimento volte a funcionar normalmente é a realização do Plano de Prevenção Contra Incêndios, exigido pelo Corpo de Bombeiros. O projeto tem o custo de R$ 1,5 milhão.

O segundo andar do estabelecimento segue interditado, devido a falta de um Plano de Prevenção Contra Incêndio
O segundo andar do estabelecimento segue interditado, devido a falta de um Plano de Prevenção Contra Incêndio

O incêndio de 2013 afetou nove permissionários, alguns mantiveram seus estabelecimentos funcionando em espaços menores do mercado, enquanto três deles não estão em operação no momento. Adriana ressalta que a associação quer assumir os custos do PPCI, para que os atingidos pelo ocorrido em 2013 voltem ao exercício de suas respectivas atividades no segundo andar do mercado.“Nós queremos fazer PPCI porque queremos nossos colegas de volta, trabalhando a pleno e gerando novos emprego” afirma a diretora.

Parceira Público Privada

O Mercado Público é um alvo dos possíveis projetos de parcerias público-privadas da gestão do atual prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan. Em entrevista ao jornal do comércio no mês de março, Marchezan diz que a Prefeitura não tem a competência necessária para gerir o mercado, precisando buscar o apoio da iniciativa privada.

A discussão sobre o projeto de PPP está em fase inicial, nenhuma manifestação de interesse foi lançada. Os permissionários tomaram conhecimento de uma possível PPP assim como o público geral, pela imprensa, e são contra tal mudança por receio do que possa vir a mudar no mercado com a entrada de um gestor externo, conforme informa a diretora Adriana Kauer.

Área do Mercado está restrita
Área do Mercado está restrita

Para a associação de comerciantes do mercado, o mix de produtos, o atendimento e os preços são pilares do funcionamento do Mercado Público e uma PPP poderia acabar com esses traços característicos do estabelecimento. “Uma PPP pode prejudicar o mix do mercado. Excluir lojas, excluir público. Um gestor externo pode achar casa de religião algo não muito legal e tirar esses produtos do mercado. Prejudica o lojista e o público do lojista. Existem lojas que vão conseguir passar qualquer aumento que existir, outras não. Diminui movimento – diminui entrada de valores – diminui funcionários”,  argumenta Adriana.

A prefeitura pretende com um projeto de PPP melhorar administração do Mercado, mas os permissionários acreditam que são capazes de executar bem tal tarefa. A Ascomep foi responsável por gerir o Mercado até o ano de 2006, a partir de então a prefeitura optou por tomar a gerência do estabelecimento, sistema que continua até hoje.

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Mercado Público enfrenta problemas de manutenção