Comércio corre risco de ser fechado durante jogos da Copa do Mundo em Porto Alegre

Discursos diferentes. A menos de 75 dias para o início da Copa do Mundo, organizações locais veem de maneira diferente o funcionamento do comércio na Capital, nos dias do evento. SECOPA (Secretaria Extraordinária da Copa), COL (Comitê Organizador Local) e o desembargador Dálvio Teixeira Leite divergem quando à aplicação da norma de restrição, e os estabelecimentos situados nas redondezas correm risco de fechar ou serem processados.

Segundo a SECOPA, dentro de um “perímetro máximo de dois quilômetros” do Estádio Beira-Rio e das chamadas Zonas de Segurança (Av. Ipiranga, Getúlio Vargas, Praia de Belas), previsto na Lei Geral da Copa, nenhum dos bares poderá se promover por meio da Copa do Mundo ou de algum patrocinador em dias de jogo. De uma maneira mais simples, os estabelecimentos não podem fazer propagandas do tipo: “Cerveja hoje R$1,50“, ”Cerveja patrocinadora por R$ 1,50”, “Bar Padrão FIFA“ ou “Depois do jogo da Copa, venha beber aqui”.

E não só os bares, mas os vendedores ambulantes também poderão vender seus produtos durantes os jogos da Copa do Mundo, segundo a SECOPA. Porém, eles terão uma zona ainda a ser delimitada para comercializar. E, da mesma forma, não poderão se promover com nada referente à Copa.

Diante desta possibilidade de fechar, está Aurio Giovanella, dono da famosa lanchonete Mek Áurio, localizada ao lado do estádio Beira-Rio. “O estabelecimento vai funcionar normalmente”, disse Giovanella e completou: “A liberação deve ocorrer até o fim da semana”.

Entretanto, o discurso do COL foi totalmente inverso. O gerente do comitê, Paulo André Jukoski da Silva, conhecido como Paulão, desconhece qualquer liberação de comércio para a Copa do Mundo e ainda diz que a FIFA pode, sim, processar os donos de bares que venderem produtos não licenciados. “A FIFA está em cima destes estabelecimentos”, disse Paulão. Sendo assim, para liberar a venda seria necessário o envio de um requerimento jurídico de liberação para o Rio de Janeiro que tentaria a liberação junto à FIFA.

Divergindo em apenas um ponto, Dálvio Teixeira comentou que o órgão que pode processar os estabelecimentos é a prefeitura, pois ela é a autoridade que controla o comércio em cada município.

Texto: Gabriel Corrêa (4º semestre)
Foto: Divulgação (SCI)