Como agem os bots nas redes sociais

Robôs são usados nas campanhas eleitorais impulsionando a presença de candidatos nas redes digitais

  • Por: Giulia Cecília da Costa (2° semestre) e Rariane Costa (2° semestre) | 10/09/2018 | 0

O candidato à presidente da República Jair Bolsonaro (PSL) conta com 33% de robôs entre os seus seguidores nas redes sociais, conforme o portal jurídico Justificando. Os robôs (bots) são controlados por computadores. Com isso, surgem perguntas sobre como agem estes robôs? É possível identificá-los? O jornalista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Marcelo Trasel ajuda a entender a atuação dos bots, junto com dados do levantamento realizado pelo centro de pesquisa em direito e tecnologia InternetLab.

De acordo com o InternetLab, os robôs são um tipo específico de programa de computador que realizam tarefas de forma autônoma, a partir de algoritmos. São comuns na internet, como os crawlers, que navegam em sites para buscar informações para portais como o Google, e os chatbots, que servem para responder usuários, fornecer informações e facilitar atendimentos.

Os bots também podem ser usados para automatizar contas e perfis de redes sociais, como forma de entretenimento, para fornecer informações de interesse público ou promover engajamento político de usuários. O problema ocorre quando essas contas se passam por usuários comuns, não de forma transparente, com o objetivo de alavancar usuários e assuntos a partir do engajamento.

O professor Marcelo Trasel explica que o uso de robôs nas redes não é ilegal, somente se praticarem atos como calúnia, difamação ou qualquer ação contra as normas da rede social em questão. Além disso, ele considera que são diferentes de perfis falsos. Enquanto bots são automatizados, enviando mensagens a partir de gatilhos como nomes de políticos, perfis falsos são administrados por pessoas reais, que possuem às vezes centenas de perfis.

Apesar de ser um pouco complicado, Trasel diz que é possível identificar os bots na internet:

 

Segundo o InternetLab, é possível diagnosticar o uso de robôs no Brasil desde 2011, em contextos eleitorais. Evidências apontam que em 2014 tenham sido usados no Twitter para apoiar candidatos. O centro de pesquisa revela, também, que a porcentagem de bots seguindo os candidatos à presidência de 2018 em nenhum caso chegou a zero ou próximo disso. Mas a alta quantidade de robôs nos perfis não indica, necessariamente, que houve qualquer tipo de aquisição de seguidores por eles ou pelas empresas de marketing que os auxiliam.