O processo de comunicação guiado pelas inovações

Os impactos tecnológicos engendram grandes mudanças na indústria da comunicação, constata Flavia Moraes

  • Por: Sofia Mello Lungui (1º sem.) | Foto: Juliana Baratojo (5º sem.) | 13/05/2016 | 0

_MG_1474“O futuro é cada vez menos provável. Precisamos pensar o futuro de uma outra maneira: devemos trocar o reativo pelo criativo”. Para a cineasta, diretora e publicitária Flavia Moraes, existem cada vez mais dificuldades para planejar carreiras, pois, a cada ano, a inovação provoca um impacto equivalente a 200 anos. A mais nova diretora-geral de inovação e linguagem do Grupo RBS trouxe provocações e reflexões a respeito do futuro da comunicação para o público presente em palestra na Feira de Carreiras 2016 da PUCRS, na última quinta-feira, 12.

Flavia foi convidada pela RBS, em 2013, a realizar um estudo com o intuito de investigar os caminhos da indústria da comunicação: seu futuro e suas tendências. A série, que começou como um documentário, ficou conhecida como “The Communication (R)evolution” e teve a duração de 12 meses de pesquisa e entrevistas, que envolveram 7 cidades nos Estados Unidos e no Brasil. A experiência resultou em diversas conclusões, principalmente sobre comportamento. A estudiosa abordou as 11 premissas que constituem a pesquisa: constatações elaboradas através das opiniões que registrou. Ela destaca que devemos passar a escutar mais, em vez de somente emitir.

As premissas elaboradas por Flavia, se seguidas, abrem espaço para grandes avanços nos processos de comunicação. A pesquisadora focou as premissas em dois verbos, em inglês: “to be” e “to think” (“ser” e “pensar”, respectivamente). “Você pode e deve emitir a sua opinião. Só não pode tentar enfiar goela abaixo como verdade absoluta, porque não vai dar. Não existe uma verdade absoluta, existem verdades momentâneas”, explica Flavia, sobre a premissa número quatro (#ThinkPlural), que apoia a pluralidade do pensamento.

A pesquisadora defende que a informação só tem poder quando compartilhada. Com uma provocação à plateia, Flavia questionou sobre o futuro de suas carreiras e fez uma analogia com o futebol: “O sonhador, apesar de atacar, precisa saber se esquivar, (…) em que posição vocês querem jogar no futuro? ”.

Quando perguntada se alguma das premissas constitui uma lacuna nos veículos de comunicação da atualidade, Flavia afirmou em entrevista ao Editorial J que sente falta de pluralidade e da autocrítica, abordados na premissa número seis (#BeBeta). “Quando você lança um produto ou uma ideia nova, é importante ter desprendimento para mudar e ajustar, até que acerte. É muito difícil acertar de primeira”, disse. A comunicadora também ressaltou que o comportamento das pessoas está mudando a ponto de modificar a noção de tempo e espaço, por conta das inovações tecnológicas. “As pessoas querem estar conectadas, querem interagir. Por outro lado, todo mundo emite, todo mundo fala, perdendo-se a noção de autores”, argumentou.

Sobre o antigo canal TVCOM, do Grupo RBS, Flavia foi crítica. Segundo ela, não havia anunciantes e a emissora era como uma “casa de Tramandaí” da RBS. Com o surgimento do canal OCTO foi possível uma reinvenção, contou. O evento encerrou a Feira de Carreiras 2016 da PUCRS e contou, no final, com uma série de perguntas do público para Flavia, que respondeu com entusiasmo.

Colaborou: Bibiana Garcez (5º sem.)