Comunidade LGBT realiza ato em defesa da democracia

Grupo desaprova impeachment da presidente Dilma Rousseff, em andamento na Câmara dos Deputados

  • Por: Sofia Mello Lungui (1º sem.) | Foto: Annie Castro (4º sem.) | 04/04/2016 | 0

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Em meio ao fervilhar de atos contra e a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, na Capital e em diversas outras cidades do país, a comunidade formada por lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis (LGBT) mostrou sua voz em Porto Alegre na tarde do domingo (3/4). No Parque da Redenção, por volta das 15h, entidades ligadas ao movimento LGBT se manifestaram em defesa da democracia e pela derrubada do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. O evento, que ocorreu em frente ao Monumento ao Expedicionário, contou com a presença de importantes lideranças de ONGs e representantes das entidades, como a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Marcha Mundial das Mulheres e a recentemente criada União Nacional LGBT (UNA).

Lucas Bernardes, estudante de Relações Públicas na PUC e representante da União Nacional LGBT (UNA)
Lucas Bernardes, estudante de Relações Públicas na PUCRS e representante da União Nacional LGBT (UNA)

Para Lucas Bernardes, estudante de Relações Públicas na PUCRS e representante da UNA, organização que iniciou suas atividades em agosto de 2015, se a democracia for derrubada, os projetos específicos para a comunidade LGBT e as ações afirmativas serão descartados. O militante disse que, até hoje, os direitos individuais dos membros da comunidade ainda não foram assegurados. Ele considera que o processo de impeachment significa a derrubada da democracia, além de representar um retrocesso para o Brasil.

O microfone utilizado pelos organizadores do evento estava aberto ao público, permitindo que todos expusessem suas opiniões. Uma das falas foi a de Sofia Cavedon, vereadora de Porto Alegre pelo Partido dos Trabalhadores (PT). “A luta LGBT, o direito à livre expressão sexual, ao livre casamento, aos espaços de trabalho e de lazer, à vivência da sexualidade como quiser no espaço público, são assustadores para os que querem manter a normalização. Querem manter uma sociedade desigual, que é fundada na normalização da família, na domesticação do corpo da mulher e no sexismo, que determina papéis e lugares para cada um”, destacou a parlamentar.

Segundo ela, o que desencadeou a crise política e o golpe, como classifica o processo, é o fato das elites terem percebido que a sociedade caminhava para o fim dos privilégios e para o direito das pessoas serem felizes e livres. Em muitos dos discursos, foram feitas, também, críticas ao presidente da Câmara. Conforme os participantes, Eduardo Cunha coloca em perigo, por meio de projetos de lei e decisões extremamente conservadoras, a liberdade e os direitos dos LGBTs, dos índios e dos negros.

Sofia Cavedon é vereadora de Porto Alegre pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e apoiadora das causa LBGT.
Sofia Cavedon é vereadora de Porto Alegre pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e apoiadora da causa LBGT.

O ato contou ainda com momentos culturais. Estavam presentes artistas do Bloco da Diversidade, que entoavam: “Não deixe o sonho morrer, nem a mudança acabar, o povo não sente mais fome e tem casa para morar”. Além disso, havia no local faixas e cartazes das organizações participantes. O cartaz da Liga Brasileira de Lésbicas (LBL), por exemplo, continha os dizeres: “Socialmente iguais, humanamente diferentes, totalmente livres! Feminismo para dentro da cabeça!”. Para finalizar o evento, os organizadores propuseram a gravação de um vídeo com todos os participantes, para futura divulgação nas redes sociais, com o intuito de convocar o público para o próximo ato, programado para o domingo,10 de abril.

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