Corrida ao Senado é imprevisível, diz cientista político

A disputa pelo Senado no Rio Grande do Sul está embaralhada, afirma Rafael Madeira, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUCRS e membro Centro Brasileiro de Pesquisa em Democracia. A entrada de Pedro Simon que, aos 84 anos, assumiu a disputa no lugar de Beto Albuquerque (PSB) que, com a morte de Eduardo Campos (PSB), tornou-se vice de Marina Silva (PSB) na chapa presidencial, altera o cenário, antes polarizado por Olívio Dutra (PT) e Lasier Martins (PDT), argumenta Madeira. Enquanto isso Simone Leite (PP) aparece com apenas 2% das intenções de votos nas últimas pesquisas.

A volta de um conhecido e experiente parlamentar concorrendo ao Senado pode prejudicar o estreante Lasier, e acabar beneficiando Olívio Dutra. “Simon e Lasier são candidatos de discursos semelhantes e devem dividir eleitores. Antes era Lasier que tirava votos do Olívio, agora é Simon quem deve arrebatar votos de Lasier”, analisa o professor. Simon apareceu pela primeira vez no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão na quarta-feira, 27 de agosto.

No começo da semana, Ibope e o instituto MDA divulgaram resultados da nova pesquisa pela corrida presidencial. Marina Silva aparece isolada na segunda colocação nos dois levantamentos. Dilma Rousseff (PT) lidera em ambas. No entanto, nas duas pesquisas, Marina Silva venceria a eleição no 2º turno contra a petista. Aécio Neves (PSDB) é o tucano com pior desempenho em um final de agosto desde as consultas feitas em 1994.

Leia mais: No Twitter, Beto Albuquerque defende projetos do PSB e valores tradicionais

A morte de Eduardo Campos pode estar influenciando os resultados da pesquisa, mas, para Madeira, é preciso levar em conta o grande capital político de Marina. Com quase 20 milhões de votos na eleição passada, Marina já é uma figura de projeção nacional, ao contrário de Eduardo Campos. “Marina consegue harmonizar dois grupos bastante distintos: os ambientalistas e os evangélicos. São duas imagens bem fortes. Ela precisa agora conciliar isso com coerência”, explica. A falta de coerência da presidenciável vem sendo foco de críticas de seus adversários. Aécio Neves, na ocasião do primeiro debate entre candidatos a presidente promovido pela Bandeirantes, dia 26/08, questionou a candidato do PSB sobre a afirmação de que, se eleita, quer o apoio de políticos como José Serra, a quem recusou-se a apoiar em 2010. ”A senhora não acha que a nova política precisa de coerência?”, interrogou Aécio.

Madeira avalia que Beto Albuquerque e Pedro Simon podem alavancar o nome de Marina no Estado, algo que Eduardo Campos ainda não tinha conseguido. As chances de um segundo turno na disputa pelo Palácio do Planalto não acontecer, segundo ele, são praticamente nulas: “Só se alguma modificação muito significativa acontecer, mas eu acho muito difícil”.

Na sexta-feira, 29/08, uma nova pesquisa do Datafolha está prevista. A ordem agora, segundo Madeira, é acompanhá-las e tentar prever se Marina tem combustível para chegar até o Planalto.

Texto: Bruna Zanatta (4º semestre)
Foto: Wilson Dias/ABr – Agência Brasil