Bicicleta precisa ser conhecida como meio de transporte

Curso do Detran “Bike na Rua” incentiva pessoas a adotarem o veículo para se locomover pela cidade

  • Por: Vitor Lacourt (2º sem.) | Foto: Wellinton Almeida (3º sem.) | 21/10/2016 | 0

Foto: Wellinton Almeida

A bicicleta é um meio de transporte que consta no Código Brasileiro de Trânsito e muitas pessoas se esquecem disso, ignorando direitos e benefícios que ela pode trazer. Ciclista experiente e instrutor do curso do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS) Silverio Kist enfatiza que “falamos sobre a conduta das pessoas para utilizarem a bicicleta, sempre levando em conta que é um meio de transporte que consta no Código Brasileiro de Trânsito e que deve usar a via pública como o seu devido local de trânsito”.

Kist foi instrutor do curso Bike na Rua, oferecido, na quarta-feira (19) pelo Detran-RS aos interessados na utilização da bicicleta como meio de transporte. A aula abordou os benefícios do uso da bicicleta, a legislação, os equipamentos de segurança e a conduta das pessoas referente aos ciclistas. O curso durou quatro horas e aconteceu na sala de aula da Escola Pública de Trânsito (Avenida Júlio de Castilhos, 505, 17º andar), no Centro de Porto Alegre.

Segundo o instrutor, os principais incentivos para o uso da bicicleta são questões do meio ambiente, ou seja, a consciência ambiental pensando no futuro e nas próximas gerações; questões econômicas; praticidade; melhoria do trânsito como um todo, mais melhorias pessoais (físicas e diminuição do nível de estresse).

Ao ser questionado sobre a estrutura de Porto Alegre para adotar o uso da bicicleta como meio de transporte, Kist ressaltou que todas as cidades estão prontas para receber, mas a maioria não está pronta para incentivar o uso. Uma dos temas tratados no curso foi o planejamento cicloviário da Capital. “O grande problema é que as ciclovias e ciclofaixas não são feitas para levarem a pessoa da sua residência ou do seu trabalho para outro local. As ciclovias estão espalhadas pela cidade e não incentivam as pessoas a usar a bicicleta como meio de transporte”, afirmou.

Kist ressalta que a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) pode colaborar com os ciclistas no momento em que o plano cicloviário comece a fazer com que as ciclovias sejam conectados. “Um exemplo é conseguir unir a Redenção, Parcão e Parque Marinha do Brasil. Isso fará as pessoas, pelo menos aos sábados e domingos, utilizar a bicicleta de um parque ao outro. Também pode ajudar unindo locais de grande concentração (Centro de Porto Alegre, Cidade Baixa, PUCRS e UFRGS). O grande problema hoje é que as ciclovias estão em pontos isolados da cidade, que não ligam local algum. As ciclovias acabam não sendo úteis”, explicou.

Sobre uma possível falta de legislação, o instrutor lembrou que o problema não é a falta de lei, mas da aplicação da lei. “Nós temos grupo de trabalho aqui, no Detran, que atua com vários órgãos, tentando desmistificar o uso da bicicleta. Muitos condutores não sabem que a bicicleta deve circular na via pública, pensam que é na calçada. Precisamos fazer as pessoas conhecer mais sobre a legislação para entender melhor o local da bicicleta. Um exemplo é o desconhecimento do condutor de veículos da distância mínima de 1,5m de um ciclista”, exemplificou.

Diferente de 2015, o evento não tem data certa para acontecer novamente em 2016, visto que algumas cidades do interior receberam a atenção dos cursos neste ano.  O que se pode esperar é que o calendário de 2017 indique mais cursos do Bike na Rua para a capital gaúcha.