Desejo de mudança e baixa expectativa: O que pensam os jovens que vão votar pela primeira vez

Adolescentes de 15 e 17 anos contam suas expectativas e motivações para encarar a urna antes da maioridade

  • Por: Flávia Pereira (2° semestre) | Foto: Bernardo Speck (5° semestre) | 09/05/2018 | 0

A partir dos 18 até os 70 anos, o voto é obrigatório no Brasil. Aos 16, votar é facultativo, o jovem pode optar entre ir à urna ou não. Nas longas duas filas no entorno do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Porto Alegre, na última semana, para emitir o título de eleitor e regularizar a situação eleitoral, encontravam-se também adolescentes que sem a obrigação de votar e com diferentes desejos e opiniões decidiram ir à urna pela primeira vez.

Filas dobrando a Rua Barão do Cerro Largo, esquina com a Avenida Praia de Belas.

Na véspera do fim do prazo para emitir, atualizar e regularizar o título de eleitor, a fila para retirar ficha e marcar agendamento começava na avenida Praia de Belas e se estendia até a rua Barão do Cerro Largo. A outra fila, para enfim fazer o documento, ocupava praticamente toda a calçada. A espera era de horas. O estudante de jornalismo Felippe Morais, de 18 anos, relata que chegou ao TRE às 14h30 na fila e deixou o TRE  às 19h30.


Pessoas chegaram a ficar até cinco horas na fila para regularizar a situação eleitoral no penúltimo dia.

Alguns veem o voto como um instrumento de mudança, outros querem participar, embora não acreditem em mudanças na política. Possíveis candidatos? Nomes foram apontados pela minoria, a maior parte dos entrevistados não indicou um nome e outro preferiu ser discreto quanto ao presidenciável que tem em mente. Um ponto em comum levantado pela maioria foi a vontade de escolher um bom candidato, tendo a internet e a televisão como fontes principais para se informar, e a ideia de pesquisar antes de digitar o número do candidato na urna e clicar na tecla “confirma”.

A estudante do primeiro ano do Ensino Médio do Colégio Inácio Montanha, Thainá Dias da Rosa tem 15 anos, completa 16 antes do primeiro turno das eleições e irá à urna pela primeira vez este ano. Ela é militante da União Metropolitana de Estudantes Secundários de Porto Alegre (Umespa) e o que a motivou a fazer o título de eleitor foi a situação em que o país se encontra, classificada pela secundarista como ruim, e o desejo de querer mudar. A jovem não tem candidato em vista e diz
não ter pesquisado ainda. Thainá se informa sobre política pela Umespa.

Thainá Dias da Rosa é a mais jovem entre os entrevistados.

Stefany Brenda, estudante do segundo ano do Colégio Santa Dorotéia, vê o cenário político atual como complicado. Ela não achou candidatos em que realmente acredite e que tenha uma política em que confie. A expectativa da jovem quanto ao voto é que vale a pena e espera votar com consciência e numa pessoa que realmente goste. Stefany aponta a internet e o colégio como fontes as quais se informa sobre política.

Maria Eduarda Corumba e Daniel Luis da Rosa, de 16 e 17 anos respectivamente, também são alunos do Colégio Santa Dorotéia. Ela acredita que tem muito a pesquisar e Ciro Gomes foi apontado pela jovem como um possível candidato à presidente da República que poderia receber seu voto. A jovem comenta ter receio falar um nome de candidato e depois, ao buscar informações, ver que o presidenciável em questão “não é tão bom assim”. Pouco otimista, Daniel não tem expectativa quanto à mudanças, revela que já desistiu da ideia de votar no ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Quanto a ideologias, o jovem vê erros tanto na direita quanto na esquerda, sendo a neutralidade normal e classifica ambos como “hipócritas” e como se fossem duas máscaras para o mesmo monstro.

Influenciado pela namorada Maria Eduarda, Daniel também encarou as longas filas para tirar o título de eleitor.

Natiele Rodrigues Souza, de 17 anos, diz que foi fazer o título um pouco por obrigação de ter que fazer e por saber que depois vai poder escolher por um futuro melhor. Ela não tem candidato em mente ou ideologia. A jovem se informa sobre política pela televisão, internet e amigos.

Natiele Rodrigues Souza conta que não tem um candidato ou ideologia definidos.

Rafaela Poglia, 17 anos, estudante do Colégio Tiradentes aponta que a motivação para tirar o título antes da obrigatoriedade é o engajamento que sempre teve com a política. Ela sempre gostou de se informar e não ser alienada em relação ao país. A estudante vê no voto uma forma eficiente de mudar as coisas, porque do jeito que está não dá. Questionada sobre um possível candidato a jovem respondeu: “Até tinha, mas foi preso”.

A estudante Rafaela Poglia acredita na importância de se informar sobre política.

Alexandre Pinheiro, 16 anos, estudante do Colégio Marista Champagnat acredita no potencial do voto. O jovem vê o voto dele como um a mais para o candidato que pensa ser a melhor opção. Ele não confia na urna eletrônica, acredita que tudo vai dar certo e diz ter um candidato em mente, mas prefere não se posicionar. Sobre o consumo de notícias sobre política, o jovem diz utilizar como fontes redes sociais, jornais e auxílio dos pais. Assim como ele, Maria Eduarda Corumba também procura se informar sobre política com familiares.

Alexandre de Pinheiro acredita na importância do voto.

Luiz Henrique Brauner  Morais, 17, é mais um dos jovens sem candidato definido. Ele diz detestar a polarização entre direita e esquerda e extremismos. O jovem se informa sobre política através da televisão e da internet.

A cidade de Porto Alegre conta com um eleitorado apto de 1.095.668 pessoas. O número de eleitores entre 16 e 17 anos é de 5835 pessoas, o maior entre todos os municípios gaúchos, de acordo com números do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul. Os adolescentes que tiverem interesse em votar nas eleições deste ano e os adultos que precisam regularizar a situação eleitoral tem até 9 de maio para procurar os Tribunais Regionais Eleitorais.

Os prazos para emissão, regularização, transferências e atualização termina as sete horas da noite de hoje.