Dia do Internauta é celebrado em 23 de agosto

Editorial J conversa com o pesquisador Fabricio Solagna sobre a falta de acesso à Internet no Brasil e Rio Grande do Sul

  • Por: Samira Rodrigues (4º semestre) | Foto: Pedro Spieker (2º semestre) | 23/08/2017 | 0

Há 26 anos, a World Wide Web, projeto do engenheiro Tim Berners-Lee, tinha seu primeiro acesso, nascia a principal interface de acesso à Internet. Desde então, para comemorar a invenção do WWW, o dia 23 de agosto é considerado o Dia do Internauta. O termo internauta, explica o sociólogo e pesquisador de cultura digital Fabricio Solagna, era mais usual na década de 90. Atualmente, é mais comum o termo usuário.

Hoje, cerca de 40% da população mundial tem acesso à Internet, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Apesar do impacto que a Internet tem na sociedade, 3,9 bilhões de pessoas ainda não tem acesso à rede. No Brasil, a Pesquisa Brasileira de Mídia, feita com 15.050 entrevistados, constatou que 37% dos participantes não usam a Internet.
“Em geral, quem tem maior dificuldade de acesso são as classes D/E e pessoas que moram longe de centros urbanos”, diz Fabricio Solagna, que também é membro da Associação Software Livre.Org. Os motivos, segundo ele, seriam o alto preço do acesso e a falta de infraestrutura, os cabos não chegam em algumas localidades.
Contudo, há um outro motivo: “Muitas pessoas reportam não usar a Internet por falta de interesse”, informa Solagna. Entretanto, ele ressalta que essa falta de interesse pode ser motivada justamente pelo alto preço ou porque a conexão é lenta. Além disso, o pesquisar lembra que há muitas pessoas que ainda não sabem mexer em computadores.
Quanto à conexão no Rio Grande do Sul, Solagna afirma que é sabido que há um vazio de acesso no Oeste e na região de Campanha. “Os cabos de fibra ótica não chegam lá”, diz. O especialista conta que no mandato do ex-governador Tarso Genro (PT) havia uma Secretaria de Comunicação e Inclusão Digital, que se propunha a levar interconexão de rápido acesso para essas áreas a Oeste do estado. Atualmente, Fabricio desconhece qualquer política estrutural de inclusão digital no Rio Grande do Sul. “Se no plano estadual, ora existe programas, ora não existe, no plano nacional, nenhuma iniciativa conseguiu levar com efetividade interconexão a regiões sem acesso”, fala o sociólogo. “Durante longos anos, houve esforços para levar banda larga ao interior do país”. Fabricio Solagna cita acordos que o governo fechou com empresas provedoras de Internet para baixar custo de conexão, mas que não surtiram efeito.