Dentro, o espaço é organizado com muitos elementos artísticos e frases de protesto. - 15/10/2014 Foto: Juliana Mastrascusa

Discussão, arte e política em movimento na Ocupação Kuna Libertária

A Kuna Libertária ocupa um dos 26 imóveis de Porto Alegre com pedido de reintegração de posse atualmente em aberto. O grupo questiona a atual forma de distribuição imobiliária nos grandes centros populacionais. Com alguns moradores fixos e outros migrantes, o espaço resiste desde o início de setembro na avenida Oswaldo Aranha, número 418.

A Kuna critica o grande número de domicílios abandonados, enquanto a capital gaúcha possui um déficit habitacional de 86.263 moradias segundo dados da Fundação João Pinheiro. Sem eletricidade nem água encanada, a iluminação é feita a partir de velas. A ocupação promove atividades culturais abertas ao público, como brechós, meditação, exibição de filmes e oficinas de dança, além de fotografia, teatro e, até, ensino de línguas – do francês ao guarani.

Dos debates sobre política, saem ideias para monólogos e apresentações. Em um dos sábados de sol de outubro, por exemplo, surgiu a iniciativa de um cortejo pelo Parque da Redenção em protesto contra o sistema eleitoral e a ideia de representação por votos. Um dia antes do segundo turno das eleições, moradores da Kuna foram ao parque para questionar a participação no pleito. “Qual é o seu número?”, gritavam aos que passavam, em uma mistura de protesto com teatro.

A arte também é uma forma de sustento da Kuna. Em performances nas sinaleiras, arrecadam recursos para compra de materiais básicos. Mesmo utilizando dinheiro, o grupo não deixa de questionar a sua importância. O grupo mantém uma página no Facebook e um weblog, para comunicação e divulgação das suas atividades.

Texto e fotos: Juliana Mastracusa (4º semestre)