Gemis pretende equilibrar a cobertura de temas LGBT pela imprensa brasileira

A cobertura da mídia brasileira referente aos assuntos da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) pode ser classificada de três formas: insuficiente, por repetir temas consolidados como o casamento; desigual, questionando a escolha das fontes, e parcial, por culpar a vítima sobre a homofobia.

A manifestação é do professor Roger Raupp Rios, da Uniritter, feita em palestra que marcou o inicio das atividades do grupo Gênero, Mídia e Sexualidade (Gemis), na terça-feira, 9 de setembro, no Memorial do Rio Grande do Sul, junto à Praça da Alfândega. A proposta do Gemis é discutir, analisar e repensar o papel da comunicação social brasileira e gaúcha relacionada à população LGBT. Como os próprios integrantes se definem, são um grupo de ação que reúne ativistas, jornalistas, professores e produtores culturais. O encontro reuniu cerca de sessenta pessoas, além dos organizadores do evento.

Rios, acompanhado da integrante do Gemis Fernanda Nascimento, apresentou dados do observatório sobre direitos sexuais nas mídias brasileiras, projeto o qual integra e colabora para a coleta de estatísticas sobre a representação da diversidade sexual na mídia. De acordo com ele, no primeiro semestre deste ano foram 6.467 registros de notícias relacionadas à diversidade sexual, sendo 37% relacionadas ao casamento homossexual.

A conversa com o doutor em direito rapidamente tornou-se um debate que marcou o início do Gemis. Entre as ações do grupo, estão previstos encontros com jornalistas nas redações e palestras em faculdades de comunicação para alertar os profissionais da área sobre a desigualdade na cobertura de assuntos LGBT.

De acordo com Débora Fogliatto, uma das articuladoras do movimento, o grupo busca contatos dentro das redações para facilitar a aproximação e afirma que não será uma tarefa simples: “sei que tem gente que não vai mudar, mas vamos tentar”. Ela garante que as visitas às redações devem ocorrer ainda neste ano.

Texto: Camilla Pereira (6º semestre)