Edital para uso do estúdio Geraldo Flach vai atrasar em 2019

Gravações deste ano vão se estender até início do próximo

  • Por: Eduardo Polidori (6° semestre) | Foto: Bernardo Speck (6º semestre) | 12/12/2018 | 0

Mesmo sem exibir peças teatrais desde 2014, o Teatro Túlio Piva, situado na rua da República, Cidade Baixa, não está totalmente em desuso. Nas dependências atrás do teatro, produtores e músicos se encontram para fazerem gravações no estúdio Geraldo Flach, um dos pilares na produção cultural da cidade. A cada início de ano, editais são lançados para selecionar artistas contemplados pelo uso do estúdio, mas devido aos atrasos nas gravações deste final de ano, a previsão é do processo de 2019 também retardar, o que vai prejudicar músicos que pretendem se candidatar ao edital.

Devido ao atraso no edital, os projetos aceitos só serão gravados a partir de maio, segundo o técnico do estúdio Marcos Peil. No começo do ano, o estúdio sofreu com problemas técnicos e os trabalhos agendados no período deverão se estender até março do próximo ano. Os editais lançados pela prefeitura seguem algumas regras básicas para os músicos que querem participar da seleção; “só podem participar pessoas que não tiveram seus projetos aceitos nos últimos dois anos. Com os projetos escolhidos, o resultado é divulgado no Diário Oficial” acrescenta Marcos.

A banda Cartel da Cevada foi uma das contempladas no ano de 2018. Igor Assunção, vocalista da Cartel, acha que os editais são de grande ajuda para conseguir realizar os projetos; “seria impossível de uma banda do nosso tamanho, independente, realizar os projetos com o nosso dinheiro”. Músicos independentes sofrem com a falta de verbas para gravarem seu material. Mesmo com alguns editais ou tentar captar recursos pela Lei Rouanet, do governo federal, o dinheiro é pouco para atender a grande demanda de projetos.

Para Igor, a ajuda que o governo federal proporciona é pequena, “a Lei Rouanet é mal vista por parte da população e administração, mas é uma lei interessante, não somente pela isenção de impostos. Uma parcela da população diz que esse dinheiro aplicado poderia ir para saúde ou outras coisas.  No entanto, o apoio deveria ser muito maior”.  Diante destas dificuldades, as bandas se valem de outras formas de levantar recursos, uma das mais usadas é a vakinha online, onde são fixados valores a serem alcançados. Cada valor doado tem uma premiação, seja camisetas, botons, bonés ou algum outro material exclusivo. Durante os shows, também são vendidos materiais promocionais do conjunto. É normal as bandas montaram suas “lojinhas” e oferecerem produtos com sua marca.

Estúdio espera por edital

Como funciona a Lei Rouanet

A Lei de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet, por ter sido criada no período em que o diplomata Sérgio Paulo Rouanet foi secretário Nacional de Cultura (191-1992) no governo Fernando Collor de Mello, prevê três formas de captar recursos para serem aplicados na Cultura, seja em eventos ou obras: Mecenato, Fundo Nacional de Cultura e o Fundo de Investimento Cultural e Artístico, mas que não chegou a sair do papel. A forma mais utilizada é o mecenato, onde pessoa e empresas captam recursos para patrocinar eventos, exposições, editar livros e demais trabalhos da área cultural. Em troca, o valor é reduzido do Imposto de Renda, onde pessoas comuns abatem 6% do valor e as empresas abatem 4%.