Editor do “Profissão Repórter” discute princípios básicos do documentário

PORTO ALEGRE, RS - 23.04.2013 - O jornalista e documentarista Caio Cavechini foi o primeiro convidado para palestrar no novo projeto da Faculdade de Comunicação Social da PUC, o Abre Aspas, no Auditório da FAMECOS na noite de terça-feira. Caio é atualmente reporter e produtor do Profissão Repórter, da Rede Globo, e veio apresentar um dos seus documentários independentes e uma reportagem do programa. Foto: Guilherme Testa/Famecos/PUCRS
Caio Cavechini palestra para alunos da Famecos/PUCRS na primeira edição do projeto Abre Aspas.

Atualmente com 30 anos, Caio Cavechini entrou com 23 anos no programa da Rede Globo Profissão Repórter e hoje é um de seus editores. Tem experiência em documentários, dentre eles o trabalho de conclusão de curso (TCC) da ECA-USP Antes, um dia e depois, e Correntes, produzido em conjunto com a ONG Repórter Brasil, cujo tema é o combate ao trabalho escravo no Brasil. Seu trabalho mais recente, em parceria com Juliano Barros,  Carne e Osso, retrata questões relacionadas aos trabalhadores dos frigoríficos das regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil. No dia 23 de abril o repórter do programa coordenado por Caco Barcellos esteve na Famecos/PUCRS, para a realização do projeto Abre Aspas

O repórter e editor diz que, num documentário, é mais importante se preocupar com a forma da narrativa do que com o assunto da história em si. Segundo ele, a área de videojornalismo parte de três princípios básicos: tempo, acesso e paixão. Um bom projeto requer um período determinado para ser finalizado e bem feito (tempo); possibilidade de alcance do jornalista aos personagens e locais a serem retratados (acesso); e um grande sentimento de entusiasmo para superar obstáculos e obter sucesso no trabalho (paixão).

Caio afirma que um documentário vai além da estrutura clássica de “lead” do jornalismo diário, pois o desafio consiste exatamente em “saber a hora mais propícia para contar a história que desejamos contar para o espectador no vídeo”. Se esse momento específico não for bem definido, o documentário pode não passar para o espectador a mensagem ou emoção que deveria ser transmitida no conjunto imagem e som. O roteiro jornalístico que envolve o vídeo parte do princípio da escolha de “camadas reveladas aos poucos”, que permite escolhas conscientes que “definem momento certo de revelar o ouro”, a informação mais importante.

Ele indica o documentário The Cove, vencedor do Oscar de melhor documentário em 2010, sobre um grupo de ativistas que chega à baía de Taiji, no sul do Japão, para mostrar a captura, comércio e o extermínio de golfinhos no local. Por fim Cavechini faz um alerta aos futuros documentaristas ou interessados na área, sobre a importância de definir especificamente o assunto e não ampliá-lo demasiadamente, sob risco de perder o foco e não concluir o projeto de forma eficaz: “Quanto mais você fecha o seu campo de ação, mais livre você fica para desenvolvê-lo.”

Veja uma edição especial do programa 60 segundos com Caio Cavechini:

Texto: Bárbara Nóbrega (1º semestre)
Foto: Guilherme Testa (4º semestre)