Editorial J completa cinco anos

Laboratório de jornalismo da Famecos faz aniversário e balanço da atuação

  • Por: Kamylla Lemos (6º sem.) | Foto: Angelo Werner (2º sem.) | 17/08/2016 | 0

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“O Editorial J coloca o aluno na linha de frente da atuação jornalística, dentro de todas as suas nuances”, afirma o jornalista André Vitor Pasquali, um dos primeiros alunos editores do J.  O Laboratório foi criado com o objetivo de atender uma necessidade dos alunos, após o coordenador do curso de Jornalismo da época, Vitor Necchi, notar que a estrutura dos laboratórios precisava passar por uma reformulação. Para a mudança, chamou os professores André Pase, Fábio Canatta e Marcelo Träsel, e cinco alunos que, juntos, deram vida, em agosto de 2011, ao Editorial J.

Inicialmente, foram para uma sala de aula para pesquisar como eram os laboratórios de jornalismo pelo país. Os alunos que ajudaram na reformulação – além de André, Felipe Martini, Igor Grossman, Marcelo Sarkis e Natália Otto, tornaram-se os primeiros editores e bolsistas do J. “Uma das ideias iniciais do J foi elencar temas que deveriam estar frequentemente em nossas pautas, temas que não são resolvidos na mídia tradicional”, explica Fábio Canatta, coordenador do Editorial J. Antes, Canatta trabalhava como editor do Terra, até que surgiu a oportunidade de ele se dedicar exclusivamente à faculdade, ajudando na reformulação do laboratório.

A mudança no Editorial é constante, experimentando ideias sugeridas por professores e alunos, buscando melhorar a cada semestre. “É muito dinâmico e depende dos alunos que estão aqui, das provocações deles. É um espaço novo mas ao mesmo tempo se assemelha a um clima de redação”, afirma Canatta.  Atualmente, o Editorial J se divide em quatro núcleos, onde os alunos podem experienciar a rotina de rádio, televisão, fotojornalismo, e publicações impressas e digitais.

Nesses cinco anos, o J já publicou 1500 reportagens no jornal impresso e em mídias digitais, somando mais de 200 mil visualizações. Além disso, o laboratório conta com cerca de 3200 seguidores em suas redes sociais – Facebook, Twitter, Instagram e YouTube. “O J é uma experiência muito enriquecedora. Nos orgulha muito participar da formação de alunos com uma consciência critica tão bacana, que são capazes de olhar pro mercado, olhar de forma critica e propor algo diferente.”, diz Canatta.

Já o professor Marcelo Träsel comenta que no início, em 2011, eles estavam tentando descobrir quais limites na capacidade dos alunos e na estrutura da universidade se aplicavam à cobertura. “O objetivo do J é servir aos alunos, então foi necessário descobrir quais eram os principais interesses deles e ver como eles se cruzavam com os interesses dos professores e as exigências do ensino de jornalismo”, explica.

Ex-professor editor do núcleo digital, Träsel detalha que o antigo site do editorial J contava com três colunas, representando três ciclos de tempo possíveis: diário, para notícia; semanal, para reportagens; e extemporâneo, pra conteúdos atemporais, interpretativos ou explicativos. “A proposta era interessante, mas no fim a rotina produtiva não funcionou como esperávamos e, assim, a arquitetura de informação se tornou um problema, uma prisão”, relata. O site recebeu novo design em 2015.

Uma das produções jornalícas que Träsel relembra foi a ideia de reencenar o golpe de 1964 usando um perfil no Twitter, o @Golpe1964, que surgiu na rotina de trabalho do J. A iniciativa repercutiu em vários veículos de informação e o perfil atingiu 2 mil seguidores na primeira semana. Em 2015, o perfil transformou-se em @democracia1985, repetindo a ideia de reencenação cronológica, dessa vez com o processo de Redemocratização.

Além da pauta do dia, e pautas dos seus próprios núcleos, os alunos também interagem e compartilham experiências através de produções de conteúdo colaborativas. A editora do núcleo de fotografia, Annie Castro, participou do VotoJ, cobertura das eleições de outubro de 2014, e da cobertura do Impeachment. Ela conta que no VotoJ, que aconteceu no seu primeiro semestre na faculdade, foi para a PUCRS pela manhã, saiu da redação para fotografar e depois voltou, onde ficou esperando notícias dos colegas. “Foi assustador, mas foi bom também. Acho que é bom que você vivencia esse jornalismo colaborativo que tem muito lá fora, e acaba reforçando o trabalho em equipe”.

Ela participa do laboratório há dois anos, e passou por todos os núcleos. Antes de entrar na faculdade, já queria arranjar um estágio e produzir. Annie conheceu o J através de uma veterana na faculdade e então resolveu se inscrever. Entrou para o núcleo de Vídeo e Fotografia, e depois se dedicou à fotografia, onde virou editora em 2015. “Foi enlouquecedor, mas muito bom e gratificante. Aprendi muita coisa. Até essa rotina de trabalhar em equipe e ver que não posso fazer tudo sozinha. Ver como é a rotina. Quase enlouqueci, mas tu aprendes muito, tanto com os professores quanto com o teu núcleo”, afirma.

Annie salienta que uma das vantagens do laboratório é poder errar sem ser criticada. “A melhor parte é colocar em prática o que tu escutas na aula e parece tão distante. Os professores auxiliam muito porque eles já tiveram uma vivência do mundo lá fora”, explica. Já o ex-editor André Pasquali acredita que o grande diferencial do J é fazer com que alunos produzam materiais que poderiam ser utilizados pelos principais veículos de comunicação: “No J, é possível utilizar todo o potencial criativo e crítico para elaborar pautas que não necessariamente se encaixam na Teoria do Agendamento, mas que podem com certeza fazer a diferença na vida da população atingida”, salienta.

Durante esses cinco anos, o Editorial J conquistou 13 prêmios. E, por três anos consecutivos, ganhou o Prêmio de Direitos Humanos. Para o professor Träsel, os direitos humanos sempre foram um dos focos da cobertura do J. “É uma questão historicamente importante para os corpos discente e docente da Famecos. Era natural que essa preocupação se refletisse na linha editorial”. afirma

No ano de 2013, a matéria Infiltrados na Universidade, das alunas Thamires Mondin e Anna Claúdia Fernandes, ficou em terceiro lugar na categoria acadêmico. Para a jornalista Thamires Mondin, ex-editora dos núcleos de Rádio e Impresso do Editorial J, essa matéria foi uma das que mais a marcou durante seu tempo no laboratório.

Ela saiu de um emprego remunerado para ser voluntária do J, entrando no início de 2013. No final do seu primeiro semestre no J, foi convidada para ser editora do núcleo de Rádio e, posteriormente, tornou-se editora do núcleo de Impresso em 2014. “Quando eu entrei no J, o que queria era experimentar o jornalismo de uma maneira mais concreta”, afirma.

Com o objetivo de aprender e experimentar, Thamires recorda que aprendeu a ter mais confiança e paciência no Editorial J. “Aprendi a pensar sempre além, espiar lá nos cantos da pauta que normalmente não são vistos. Aprendi a me relacionar melhor, a não ter medo do que pode dar errado”, diz. Ela ainda conta que, quando entrou no J, não tinha muita proximidade com rádio, mas que o convite para ser editora a desafiou bastante e, no fim, acabou gostando.

“Essas experiências me ajudaram muito depois. Eu fui para o mercado sem me sentir tão crua”, conta, ressaltando que aprendeu os caminhos de apuração, redação e edição no laboratório mais do que nas próprias aulas. “A prática, as trocas com os professores e os colegas são as coisas que mais enriquecem a experiência no J. Para mim, foi essencial. Sou suspeita para falar, mas acho que todo aluno de Jornalismo da Famecos, se puder, deve viver o J”, completa.